Crise política no São PAulo 'esvazia' futebol e complica busca por reforços

Por VALENTIN FURLAN E GABRIEL SÁ

(UOL/FOLHAPRESS) - A crise política no São Paulo tem 'esvaziado' o CT da Barra Funda ao longo dos últimos meses como forma de 'blindar' o futebol.

ISOLAMENTO DO FUTEBOL

O São Paulo tem tentado 'isolar' o CT da Barra Funda das atuais turbulências políticas vividas pela gestão do presidente Julio Casares, alvo de um processo de destituição no Conselho Deliberativo do clube.

Nas últimas semanas, o mandatário, que havia passado a despachar diretamente da Barra Funda como modo a se aproximar do futebol, voltou a trabalhar no estádio Morumbis em meio à crescente nos bastidores.

Outro que também tem frequentado muito o Morumbis é o superintendente geral Marcio Carlomagno, considerado internamente o 'braço direito' de Casares.

Carlomagno tem se dividido entre Morumbis e Barra Funda e esteve com o elenco na rápida pré-temporada, em Cotia. Ainda assim, o superintendente 'alterna' entre o estádio e o CT e vai corriqueiramente ao Morumbis em momentos de crise.

Diante das saídas de Carlos Belmonte, Nelsinho Ferreira e Fernando Chapecó, que entregaram os cargos no fim de novembro, restaram apenas Muricy Ramalho e Rui Costa no dia a dia central da Barra Funda. E no momento, Muricy está de licença por questões pessoais.

POLÍTICA CHEGOU À BARRA FUNDA

Nesta terça-feira (6), o UOL reportou um avanço das negociações do São Paulo pela contratação do meio-campista Allan por empréstimo. O Flamengo, inicialmente, deu sinal verde para o clube avançar com uma proposta.

Horas depois, porém, o presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, oficializou a decisão de marcar para o próximo dia 14 uma votação pela destituição de Julio Casares. A pauta precisa de apoio de dois terços da casa, cerca de 171 conselheiros, para avançar.

O andamento da pauta de destituição fez o Rubro-Negro reavaliar o caminho livre. Agora, as conversas estão 'congeladas', e a promessa é de só serem destravadas após a definição do futuro de Casares. Foi a primeira vez, até então, que a crise política 'furou' a bolha do futebol do São Paulo.

IMPACTO NO FUTEBOL

Fontes ouvidas pela reportagem do UOL afirmaram que as recentes reportagens investigativas envolvendo a direção do São Paulo viraram tema entre jogadores e membros da comissão técnica.

Atletas acompanham com atenção os últimos ocorridos e existe uma preocupação com a forma que isso pode ressoar no dia a dia do futebol.

Após derrota por 6 a 0 contra o Fluminense na reta final do Campeonato Brasileiro de 2025, Luiz Gustavo, que acabou não tendo proposta de renovação oferecida, cobrou a direção:

As pessoas tem que vir e começar a assumir algumas situações. Nós estamos aqui fora colocando a cara, a culpa é nossa. Nós jogadores que fizemos a m** que fizemos nesta quinta-feira (8). Mas acho que esse clube é muito grande, que merece de uma vez por todas começar a ter uma direção, um plano claro.Luiz Gustavo, após goleada para o Fluminense, em novembro

O sentimento, conforme revelado por reportagem do UOL à época, externou um pensamento coletivo no vestiário do São Paulo.