Casares cita injustiças e questiona impeachment em grupo interno
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Na semana decisiva para a votação do processo de seu possível impeachment no Conselho Deliberativo do São Paulo, o presidente Julio Casares mandou recado aos conselheiros em um grupo de Whatsapp e discutiu com Daurio Speranzini, conselheiro vitalício.
A discussão começou após Daurio enviar um recado aos integrantes do grupo reforçando a importância da participação no processo. Sem indicar posicionamento favorável ou contrário ao impeachment, o conselheiro destacou que a presença na votação é uma obrigação estatutária.
"Não vou sugerir como votar, mas apenas lembrá-los que temos o dever do voto. Afinal, estamos conselheiros para exatamente colocar nossas opiniões através do voto. Essa é uma das únicas atribuições dos conselheiros. Se não comparecermos, estaremos indiretamente dizendo que não nos preocupamos com o São Paulo Futebol Clube", escreveu Daurio.
A manifestação provocou reação do presidente Julio Casares, que questionou a legitimidade de julgamentos internos e alertou para o risco de injustiças institucionais. Em mensagem enviada ao grupo, Casares citou episódios do passado do clube como exemplo.
"O Pimenta, o maior presidente campeão da nossa história, nomeado por mim Patrono da Gestão, foi expulso e reintegrado anos depois. E a sua reputação? Mancharam? Estamos dispostos a cometer mais injustiças? Quem cometer injustiças será cobrado pelo próprio travesseiro", afirmou o presidente.
Em outra mensagem, Casares reforçou o argumento jurídico contra o impeachment e mencionou um parecer interno como fator decisivo.
"O Conselho Consultivo já decidiu que não há elementos jurídicos para um pedido de impeachment. Decisão que parece importante para uma demanda eventual. Abraços a todos. Viva a vitória na Copinha. Mais uma!", escreveu.
Daurio respondeu tentando conter o tom do debate e afastar qualquer interpretação de ataque pessoal, reiterando que seu posicionamento se limitava ao estímulo à participação democrática dos conselheiros. Apesar disso, Casares voltou a afirmar que apenas expressava opiniões e que o grupo deveria relembrar injustiças ocorridas "dentro e fora do clube".
Em contato com a reportagem do UOL, Casares afirma que só debateu para que "evitem novas injustiças históricas, dentro e fora do clube".
SEMANA DECISIVA PARA CASARES
Nessa sexta-feira (16), a partir das 18h30, os conselheiros votarão o pedido de impeachment do presidente Julio Casares. A aprovação depende de 191 votos favoráveis ao andamento do processo, o que afastaria imediatamente o mandatário de seu cargo.
Em caso de pedido aprovado, o presidente do Conselho terá 30 dias para convocar Assembleia Geral. Na Assembleia, a decisão passa aos sócios. Nesse caso, basta maioria simples para confirmar a destituição definitiva.
