"Eliminação não apaga o que construímos", diz Allan após Athletic cair nos pênaltis e se despedir invicto da Copinha
Equipe da Zona da Mata reage, vira o jogo no fim, mas sofre empate e perde nos pênaltis para o XV de Jaú; treinador destaca maturidade, processo de formação e força do grupo.
O sonho do Athletic na Copinha chegou ao fim na noite dessa segunda-feira (12), de forma dramática. Após empate por 2 a 2 no tempo regulamentar, a equipe da Zona da Mata Mineira foi eliminada pelo XV de Jaú nos pênaltis, em duelo marcado por reviravoltas, emoção até os minutos finais e uma campanha invicta que terminou sem derrotas no tempo normal. Essa foi a primeira participação do Esquadrão de Aço na maior competição de base do país.
O Athletic saiu atrás do placar ainda no início da partida e passou a maior parte do jogo em desvantagem. No segundo tempo, mostrou força de reação, aos 35 minutos, Caio empatou, e aos 41, Gustavo virou o confronto. No entanto, aos 43 minutos, o XV de Jaú voltou a empatar em bola parada, levando a decisão para as penalidades. Nas cobranças, o goleiro da equipe paulista defendeu dois chutes e garantiu a classificação.
Após a partida, o técnico Allan Santhiago classificou a eliminação como dura, mas fez questão de ressaltar o desempenho e a trajetória da equipe ao longo da competição.
“É uma eliminação muito cruel. A gente vinha jogando muito bem, vinha de quatro grandes jogos. Hoje foi um jogo atípico, tomamos um gol muito rápido”, avaliou.
Allan também destacou o peso da experiência do adversário, especialmente em um torneio de base.
“É uma equipe muito experiente, com vários jogadores no último ano. Isso pesa muito, a gente sabe. A gente iniciou a partida hoje com vários atletas de 2008, e esse nível de experiência, na hora de decidir, faz diferença”, explicou.
Mesmo assim, o treinador fez questão de valorizar a resposta do Athletic em campo e a capacidade de reação do grupo.
“Eu fico com as pontuações positivas da equipe. Mesmo saindo perdendo, a gente conseguiu buscar o placar, jogou, conseguiu fazer a virada. O adversário saiu, acredito, como um dos melhores em campo”, disse.
O gol de empate sofrido nos minutos finais, segundo Allan, foi fruto de um detalhe decisivo.
“A virada acabou com um lance de infelicidade, um abafo. Foi bola parada, mérito deles também. Empataram no final e arrastaram o jogo para os pênaltis”, analisou.
Na disputa decisiva, o treinador reconheceu a superioridade emocional do adversário.
“Pênalti, além de tudo, é maturidade, é saber colocar a bola no ponto correto. O adversário foi um pouco superior nesse quesito emocional”, afirmou.
Apesar da frustração, Allan reforçou que o principal legado da campanha está no comportamento e na evolução do elenco.
“O que vale a pena tirar de conclusão é o espírito dos atletas. A gente tinha, no início, um grupo muito arrasado individualmente. Hoje não. Hoje temos um grupo muito forte, muito sólido”, destacou.
Ele também lembrou as dificuldades enfrentadas ao longo da Copinha, com perdas importantes para o elenco profissional.
“Não é simples disputar uma Copinha e, de repente, perder três jogadores. Redobramos as atenções, os atletas dobraram o nível de concentração, demonstraram muita qualidade e coesão de grupo. Isso nos fortaleceu e nos fez chegar até aqui”, completou.
O Athletic se despede da Copinha invicto, com apenas dois gols sofridos em toda a competição, e com a sensação de dever cumprido dentro do processo de formação.
“A gente sente muito pela derrota. Queria ter passado, mas a eliminação não é derrota. A vida segue. É um processo de formação, e precisamos ter lucidez nesses momentos para transformar essa experiência em aprendizado para os atletas”, concluiu o treinador.
Números, história e o retorno da Zona da Mata à Copinha
O Athletic fechou sua participação na Copinha com números expressivos. Na primeira fase, o Esquadrão de Aço venceu o Guarani por 1 a 0, o Naviraiense por 3 a 0 e goleou o Assisense por 6 a 0. Somado ao empate por 2 a 2 com o XV de Jaú na fase eliminatória, o time marcou 12 gols e sofreu apenas dois em quatro partidas, alcançando média de três gols por jogo.
Além do desempenho dentro de campo, a campanha teve significado histórico. O Athletic representou a Zona da Mata Mineira na Copinha após seis anos sem clubes da região na competição. O último a participar havia sido o Tupi, em 2019, eliminado na terceira fase pelo Athletico Paranaense.
A presença do clube de São João del-Rei no torneio foi garantida após a campanha no Campeonato Mineiro Sub-20 de 2025, quando terminou na terceira colocação geral e conquistou o título de campeão do interior, assegurando vaga na principal competição de base do país.