Filho de Bebeto de Freitas reencontra Botafogo
RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - A bola de vôlei, a Estrela Solitária no peito e um Freitas em quadra. O Sesc Botafogo Praia anunciou novidades para a temporada de 2026 e, dentre elas, pode-se dizer, que há um reencontro: Ricardo Freitas.
Rico, como é conhecido, é filho de Bebeto de Freitas, que foi atleta de vôlei do Alvinegro ?modalidade na qual se tornou uma lenda? e presidente do clube entre 2003 e 2008.
O Botafogo está na minha vida desde que eu nasci. O papai era um grande torcedor, foi presidente do clube depois. E os laços com o Botafogo vão bem antes do meu pai, meu avô, o Heleno de Freitas [primo de Bebeto], o João Saldanha [tio de Bebeto]... Enfim, todos da mesma família, Então, a nossa vida e o clube, em quase todos os momentos, se cruzaram Rico Freitas
Esse novo enlace entre Botafogo e Rico ajuda a escrever um recomeço do treinador no vôlei de praia no país. Ele vai trabalhar com Thamela e Vic, dupla número 2 do mundo atualmente ?atrás das também brasileiras Carol e Rebecca? e volta a estar à frente de uma parceria brasileira após seis anos no exterior, e quer chegar à quarta edição dos Jogos Olímpicos.
Na Rio-206, esteve com Ágatha e Bárbara, em Tóquio-2020 treinou as canadenses Brandie Wilkerson e Heather Bansley e, em Paris-2024, as chinesas Xue e Xia.
Rico vai auxiliar ainda na condução dos treinos de Vinicius e Heitor, dupla masculina que também desembarcou no Sesc Botafogo Praia para esta temporada.
Esta será a primeira vez à frente de um time profissional. Rico já teve uma passagem como treinador pelo clube de General Severiano, mas na base do vôlei de quadra.
"São seis anos fora, e por mais que os trabalhos tenham sido espetaculares, é diferente você representar o seu país internacionalmente. Acho que a volta não poderia ter sido em um projeto melhor. Vamos trabalhar duro porque vamos ter desafios grandes, tanto para as meninas quanto para os meninos. São quatro atletas de um potencial incrível. As meninas são novas e, apesar disso, já são experientes. Tiveram uma grande temporada no circuito mundial e vamos tentar progredir ainda mais", disse.
As próximas Olimpíadas serão em Los Angeles, cidade onde, em 1984, o vôlei masculino do Brasil conquistou a segunda colocação. Pelo feito, aquela seleção passou a ser conhecida como "Geração de Prata". À época, o técnico era justamente Bebeto de Freitas.
"Na Geração de Prata, eu participei no colo de todos os jogadores. Renan, Bernard... Todos me viram nascer e me seguravam no colo para o meu pai correr. São várias histórias que, muitos anos depois, vamos descobrindo", lembrou Rico.
Bebeto morreu em março de 2018, vítima de uma parada cardíaca. À época, ele tinha 68 anos e era diretor de administração e controle do Atlético-MG.
O QUE MAIS ELE FALOU?
Expectativa para o ano? "E o que eu espero deste ano é uma temporada extremamente dura. No feminino existem dez times que podem ganhar. Se formos ver a temporada de 2025, a alternância no pódio foi enorme. Thamela e Vic são uma dupla, em minha opinião, ainda em franca ascensão. Falando de Brasil, temos duplas que têm feito um grande trabalho. Espero sempre uma temporada duríssima".O que traz desses anos de trabalho no exterior? "Trago muito a importância do condicionamento físico, sem sombra de dúvida. É uma coisa que salta aos olhos quando falamos de duplas de outras nacionalidades. Por um motivo bem óbvio, o Brasil sempre foi referência na questão técnica, no jogo dentro de quadra, na malícia do jogo, na visão, na leitura, enquanto que as equipes de fora sempre saltaram aos olhos os condicionamentos físicos. Eu trago muito isso, principalmente das atletas canadenses".
Por que escolheu a praia? "Morávamos na Itália ainda, o papai era técnico da seleção italiana e eu vim de férias sozinho uma vez. Eu tinha uns 10 anos e fiquei na casa dos meus avós, perto do posto 6 [de Copacabana]. O meu pai, à época, ligou pra Tia Leah e falou: 'Meu filho vai jogar aí de manhã cedo', aí ela falou: 'Bebeto, manda ele chegar cedo para ajudar a montar a rede' . Eu chegava cedo e ajudava. Ali, comecei a gostar e, sempre quando voltava de férias, jogava na praia. Comecei a treinar, joguei e virei técnico bastante cedo. Encurtei a minha carreira, até porque eu não tinha futuro algum como jogador, mas me deu uma bagagem que eu acho importante".
