Corinthians vive choque de gestão ao trocar Fabinho Soldado por Marcelo Paz
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O mercado já percebe uma mudança de postura do Corinthians após a troca no comando do departamento de futebol. A chegada de Marcelo Paz ao cargo de executivo trouxe um viés de mercado mais voltado ao aspecto financeiro.
Paz tem um perfil direcionado ao resguardo econômico do clube, enquanto seu antecessor, Fabinho Soldado, era reconhecido por uma atuação mais próxima dos jogadores e pela facilidade no trato com o elenco.
Essa diferença de perfis passou a impactar, sobretudo, as negociações internas para a manutenção de atletas. Fabinho Soldado, por exemplo, iniciou as conversas para a renovação do volante Maycon, que não avançaram sob a condução de Paz. A negociação pela permanência do lateral Angileri caminha para um desfecho semelhante.
Nos bastidores, a avaliação é de que Soldado era mais flexível para atender às demandas apresentadas pelos jogadores, o que facilitava o andamento e a conclusão dos acordos.
Marcelo Paz, por sua vez, adota uma postura mais rigorosa, com foco no controle financeiro e no cumprimento de diretrizes orçamentárias.
Internamente, essas diferenças são consideradas naturais, pois Paz construiu sua carreira com forte base empresarial e financeira, enquanto Fabinho Soldado é ex-jogador e domina a "linguagem do vestiário", o que o aproximava do elenco.
VISÕES COMPLEMENTARES
A reportagem apurou que a diretoria corintiana entende que os dois perfis são, na prática, complementares. Tanto que Fabinho Soldado vinha sendo preparado para ampliar sua participação nas decisões financeiras do futebol.
A ideia da gestão, caso ele permanecesse no cargo, era que atuasse como interlocutor entre o departamento de futebol, a diretoria financeira e o comitê de reestruturação. Essa função hoje é exercida de forma mais natural por Marcelo Paz, que, além do trabalho como executivo, carrega a experiência de ter sido CEO da SAF do Fortaleza por cerca de dois anos.
A eventual lacuna de Marcelo Paz na comunicação mais próxima com os jogadores tem sido compensada pela relação de confiança que o executivo mantém com Renan Bloise.
Responsável pelo setor de análise de mercado, Bloise passou a ter atuação cada vez mais ampla no dia a dia do Corinthians, funcionando como uma espécie de gerente de futebol. Ele acompanha de perto a rotina do elenco profissional e participa com maior frequência do contato direto entre diretoria e jogadores.
Contratado ainda na gestão de Fabinho Soldado, Renan Bloise se consolidou como braço direito de Marcelo Paz na condução do futebol corintiano.
