Atacante diz como ligação de Rogério Ceni mudou rumo da carreira
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Bergson jogou em muitos clubes no Brasil, mas foi na Malásia que o centroavante ganhou status de estrela. Só que tudo isso poderia não ter acontecido se ele não tivesse atendido a uma ligação de Rogério Ceni em 2020.
Bergson vinha de poucos jogos feitos por Athletico e Ceará e, aos 28 anos, já se desanimava do futebol. Eis que o telefone tocou, e Rogério Ceni, então técnico do Fortaleza, estava do outro lado da linha.
"Ceni foi quem fez a maior diferença na minha vida. Eu vinha num momento instável, sem jogar em lugar nenhum, sem ter sequência. Ele ligou diretamente para mim, tomei um susto quando ele me ligou e acabou falando comigo sobre o interesse de trabalhar comigo. Óbvio que era recíproco... Rogério Ceni te liga e você vai falar o quê? Era um momento que eu ainda não pensava em desistir, mas já estava mais para lá do que para cá. Ele foi um anjo que apareceu na minha vida", contou Bergson à reportagem.
O atacante teve início de destaque no Fortaleza, mas perdeu espaço com a ida de Ceni para o Flamengo. Ainda assim, as atuações com o antigo treinador chamaram a atenção do Johor, da Malásia, e partiu para os anos que o tornariam uma estrela na Ásia.
Já são cinco anos na Malásia e uma média de gols que impressiona. Bergson já foi às redes 178 vezes ao longo dos 174 jogos que fez. O brasileiro é o maior artilheiro da história da liga do país, com 118 gols.
Haaland, Mbappé, Lewandowski? Todos ficaram para trás em 2022. Com 46 gols naquele ano, Bergson foi o maior artilheiro do mundo levando em conta apenas os jogos disputados em clubes.
"Foi surpreendente, um ano que foi histórico para mim e para o clube. Chega um momento que tu tem tantos gols, que já para de contar. Você fica só concentrado em fazer mais um, mais dois, mais três. Quando chegou no fim da temporada e eu vi os números foi uma loucura, nem esperava, mas foi muito gratificante", disse o atacante.
O sucesso ano a ano incentiva ainda mais o jogador a continuar buscando números e marcas expressivas. Aos 34 anos, Bergson elege a "fome de render mais" como o principal motivo para se destacar tanto.
"Acho que me destaco pela fome que eu tenho de cada vez estar rendendo mais e evoluindo. Toda vez que eu atinjo algum objetivo, já quero o próximo e é isso aí que me mantém com um farol aceso. Também tem competência, a parte técnica, lógico que a gente trabalha todo dia para estar num nível bom", relata Bergson.
PROCURAS E PLANOS PARA O FUTURO
Bergson afirma ter recebido procuras de times da Série A no mês passado. Àquela altura, ele estava em fim de contrato com o Johor, mas acabou optando por permanecer na Ásia e renovou o vínculo.
"Houve procuras. Estava acabando meu contrato em dezembro e eu sei que alguns clubes de Série A buscaram informação, mas não recebi os detalhes porque a gente estava em conversa de renovação aqui", relatou.
O atacante evita projetar os próximos passos da carreira. Em meio a tudo isso, há sondagem da seleção da Malásia para que ele se naturalize e passe a defender o país a partir de agora, uma vez que completará cinco anos por lá. As conversas têm esquentado aos poucos.
"Eu tenho em mente viver cada mês. Depois de um momento da carreira, tu vai chegando numa fase que tu só quer viver, desfrutar e estar num lugar que gosta e que as pessoas gostam de ti também", afirma Bergson.
CARREIRA NO BRASIL E ESTREIA POLÊMICA
Bergson fez sua estreia no futebol profissional já envolvido em polêmica. No Brasileirão de 2009, ele entrou na reta final do jogo entre Flamengo e Grêmio, no Maracanã, e que valia taça para os cariocas.
Uma leitura labial feita após a entrada dele gerou polêmica. O Flamengo vencia o jogo por 2 a 1 quando ele entrou, e um empate do Grêmio tiraria o título dos cariocas e daria a taça ao Internacional. Segundo o vídeo divulgado, ele teria dito para o time parar de chutar ao gol. Ele nega.
"Entrei no jogo e falei para o Douglas Costa: 'continua, segue a mesma coisa'. O time estava jogando bem. A gente era tudo moleque, a maioria do sub-20. Pegaram uma leitura labial falando que eu disse para não chutar mais no gol. Em momento nenhum passou na minha cabeça isso. Eu tinha 18 anos, cheio de fome para jogar, Maracanã lotado, olhei para o lado e vi o Adriano, Léo Moura... Tu não vai querer jogar?", defende-se Bergson.
Bergson rodou pelo futebol brasileiro após ficar sem espaço no Grêmio. Ele passou por Vila Nova, Ypiranga-RS, Juventude e Portuguesa até chegar à Chapecoense, em 2014. Lá, ele conviveu com alguns dos jogadores que morreram no acidente aéreo de 2016. Entre eles, estavam o goleiro Danilo, o atacante Bruno Rangel e o lateral Dener Assunção, com quem ele jogou na base.
"Quando eu estive lá, foi o primeiro ano da Chape na Série A. Eu joguei muito pouco, mas tive uma convivência com os caras. O Dener foi o que eu era mais próximo. A gente fez a base praticamente toda juntos no Grêmio. [O acidente] Foi um baque, um choque. Depois daquilo ali, eu fiquei todo cagado para voar de avião. Até hoje tenho medo, receio", conta Bergson.
A carreira no futebol brasileiro ainda teve passagens por Náutico, Paysandu, Athletico, Ceará e Fortaleza. Foi no Papão que Bergson julga ter vivido seu auge no país natal. Ele marcou 16 gols e foi o artilheiro da Série B de 2017 atuando pelo clube.
