Fifa condena abandono de campo de Senegal na final da Copa Africana e cobra punição
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino, criticou duramente nesta segunda-feira (18) a atitude de alguns jogadores da seleção de Senegal por terem abandonado o campo brevemente e se dirigido aos vestiários durante a final da Copa Africana de Nações contra Marrocos no domingo (18), em Rabat, capital marroquina.
Incentivados pelo treinador Pape Thiaw, os jogadores senegaleses deixaram o gramado do estádio Prince Moulay Abdellah após o árbitro congolês Jean-Jacques Ndala marcar um pênalti para o time da casa já nos acréscimos do segundo tempo.
Enquanto a torcida senegalesa presente nas arquibancadas entrava em confronto com a polícia, os atletas acabaram convencidos a retornar a campo pelo astro Sadio Mané. O goleiro Edouard Mendy acabou defendendo a cobrança de cavadinha do atacante Brahim Díaz, do Real Madrid. Na prorrogação, o meia Pape Gueye fez para Senegal e garantiu o segundo título da seleção no torneio.
"Presenciamos cenas inaceitáveis em campo e nas arquibancadas. Condenamos veementemente o comportamento de alguns ?torcedores?, bem como de alguns jogadores e membros da comissão técnica senegaleses", escreveu Infantino em publicação em suas redes sociais, na qual também aproveitou para parabenizar Senegal pela conquista e Marrocos pela realização do torneio.
"É inaceitável abandonar o campo de jogo desta forma e, igualmente, a violência não pode ser tolerada no nosso esporte; simplesmente não é correto", acrescentou o dirigente.
O presidente da Fifa também defendeu que as decisões dos árbitros em campo devem "sempre ser respeitadas" e cobrou que os jogadores deem o "exemplo correto" para os torcedores. Ele também disse esperar que os "órgãos disciplinares competentes da CAF (Confederação Africana de Futebol, responsável pela organização do torneio) tomem as medidas adequadas."
A CAF publicou nota em que também condenou o "comportamento inaceitável de alguns jogadores e dirigentes" durante a final, "especialmente direcionados à equipe de arbitragem ou aos organizadores do jogo."
A confederação africana acrescentou que está tomando as providências necessárias para determinar as punições devidas aos envolvidos. "A CAF está analisando todas as imagens e encaminhará o caso aos órgãos competentes para que as medidas cabíveis sejam tomadas contra os responsáveis."
Sócio do Ambiel Bonilha Advogados e especialista em Direito Desportivo, Felipe Crisafulli afirmou que o artigo 64 do regulamento da Copa Africana prevê que, caso uma das seleções se recuse a jogar ou deixe o campo antes do término regular da partida sem a autorização do árbitro, essa equipe será considerada perdedora e eliminada definitivamente da competição em curso. Já o artigo 67 acrescenta que o Comitê Organizador poderá tomar outras medidas que considerar adequadas.
"Então, na teoria, existe a possibilidade de Senegal ser punido e, com isso, até mesmo perder o título conquistado ?independentemente de toda a confusão que se viu durante o jogo", afirmou Crisafulli.
"Em geral, as entidades evitam, tanto quanto possível, aplicar esse tipo de punição, pois acaba, de alguma forma, alterando o resultado alcançado em campo. De todo modo, o regulamento da competição prevê expressamente esse tipo de consequência."
Técnico de Senegal, Pape Thiaw teve que deixar a sala do estádio na capital marroquina onde concederia entrevista após a partida depois de ser persistentemente vaiado por jornalistas marroquinos presentes.
Um dos jogadores que chegou a se dirigir ao vestiário, o goleiro Edouard Mendy evitou entrar em polêmica e enalteceu a conquista do título pela seleção senegalesa.
"Não vamos falar no calor do momento. Aconteceram coisas, mas no final o que importa é que o futebol venceu", afirmou o arqueiro com passagem pelo Chelsea e hoje no Al Ahli.
"Estávamos determinados a vencer esta final, a trazer o troféu para casa. Milhões de senegaleses estão felizes e nós vamos aproveitar a vitória", acrescentou. "Precisamos deixar esta controvérsia para trás."
Em Dakar, capital do Senegal, torcedores foram às ruas celebrar o título e o presidente Bassirou Diomaye Faye declarou feriado nacional nesta segunda-feira (19).
"Ao entregar-lhes a bandeira nacional, confiamos-lhes uma missão. Eles conseguiram isso de forma brilhante, no final de uma partida épica, elevando as cores do Senegal ao topo do futebol africano", escreveu Faye no X.
A campeã da Copa Africana está no grupo I da Copa do Mundo, ao lado de França, Noruega, e mais uma seleção (Iraque, Bolívia ou Suriname) que será conhecida após a repescagem intercontinental.
Já Marrocos faz parte do grupo C, e está ao lado de Brasil, Escócia e Haiti.
Com Reuters
