Rafinha rebate Crespo sobre objetivos do São Paulo
(UOL/FOLHAPRESS) - Novo gerente esportivo, Rafinha discordou de Hernán Crespo e foi ao encontro do discurso do técnico do São Paulo sobre as metas do clube para 2026.
"Foi uma declaração depois de uma derrota. Crespo tem respaldo de toda a diretoria. Naquele momento fala o coração, não é o momento de responder do jeito certo. Claro que o São Paulo não entra pra fazer 45 pontos. Em 2023 eu dei uma declaração similar. Estamos com humildade, pés no chão, sabemos da realidade, mas é o São Paulo. É muito grande, todo mundo sabe. A declaração não é o pensamento do São Paulo, o Crespo sabe disso. Temos que mirar títulos pelo tamanho do clube", disse Rafinha.
O ex-capitão concedeu entrevista coletiva, sua primeira como dirigente, no início da tarde desta terça-feira (27), no CT da Barra Funda.
O dirigente não concordou com as recentes colocações de Crespo, que prevê o Tricolor lutando contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Ele chega com um contrato sem prazo de validade determinado e sem multa rescisória. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (26), nas redes sociais do clube.
O UOL já havia antecipado que Muricy Ramalho pediria demissão e que Rafinha era o principal cotado para substituí-lo no departamento, mesmo que com um cargo diferente do exercido pelo ex-coordenador-técnico.
Muricy oficializou sua saída na manhã de sexta-feira, quando as converas com o ex-lateral ganharam celeridade. O nome é um consenso entre o presidente Harry Massis Júnior e o executivo de futebol, Rui Costa.
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O QUE MAIS RAFINHA FALOU
Tamanho do desafio
"Quem é grande, gosta de desafios. Estando num clube como São Paulo é uma convocação, não um chamado. Todos sabem da identificação que tenho. Sei do momento, estou bem ciente do que acontece aqui no clube. Se tratando de São Paulo, temos que olhar para frente. Não deixou de ser um clube respeitado, referência para todos. Eu escolhi estar aqui, quero estar aqui. Não existe tempestade eterna, nem fase boa, sabemos como é o futebol. E o momento certo de estar aqui. Vou ter o apoio de todos e estou preparado".
Confiança na diretoria
"Eu confio nas pessoas que estão aqui, conheço o caráter de cada um. Entendo o torcedor, tem todo o direito de não acreditar em algumas coisas, mas eu estou aqui, colocando minha cara a tapa. Sei o tipo de pessoa que estou lidando. Sempre passei muita transparência, nunca tive um arranhão na minha imagem, seja no São Paulo ou qualquer clube. Peço que o torcedor entenda esse momento, sem eles o São Paulo não anda. Precisamos deles. O que aconteceu não foi legal, não é da noite pro dia que vai mudar. Não sou salvador da pátria de nada, nem poder para isso eu tenho, mas vim para ajudar. Pode ter certeza que teremos sinceridade, lealdade e transparência. Não vou esconder nada. nesta terça-feira (27) começa uma nova etapa no São Paulo".
Função
"Vou fazer a função do elo entre diretoria, jogadores e comissão. Prioridade do São Paulo é essa. Fazer essa blindagem no CT. Vou estar junto com o Rui, presidente, para olhar ao campo. Tenho essa experiência, vivi 23 de vestiário. No que eu puder ajudar, eles vão me consultar".
Relação com o elenco
"Conheço todos aqui. Mesmo time, mesmas pessoas. Sabemos do momento, no meu primeiro dia ja vi todo o movimento do presidente Massis. Todo o problema político, atraso de salários, não pode ser muleta para os jogadores. Fui campeão aqui com salário atrasado, em 2023. Não é algo normal, em nenhuma profissão. Entendemos o momento, respeitamos os funcionários, mas não podemos nos apoiar nisso. Sei o que cada um pode render, entregar dentro de campo. A gente sabe que incomoda, mas esse é o meu papel. Temos que fazer as coisas andarem dentro de campo, a recuperação começa com vitórias, atitude, postura. Vamos ter essa mudança, mas é tudo um processo".
Métodos de trabalho
"Conversei com muita gente. Trabalhei com o Muricy durante três anos aqui. Quero extrair o espírito vencedor, o trabalho dele, sofrer com as derrotas. Eu também sou um cara assim, na minha carreira, sem soberba nenhuma, todos sabem como fui como atleta. Quero extrair o melhor de todos, mostrar a grandeza do clube. É um desafio novo, tenho muito a contribuir".
Reviravolta na carreira
"Este momento é muito bom. Eu estava tranquilo na minha casa. Nunca deixei de acompanhar o São Paulo, sou São Paulino, faz parte do meu caráter. Gosto de estar vivendo esse ambiente de vestiário, de clube. Momento difícil é para pessoas grandes. Estava com tempo para tudo, mas não era isso que eu queria".
Momento do clube
"É muito cedo para ter um diagnóstico do que está acontecendo no clube, mas futebol não tem segredo. A gente sabe o que jogador precisa, jogador brasileiro é diferente do resto do mundo. Essa confiança vai ser resgatada. Uma derrota dói, custa caro, mas o São Paulo é muito forte dentro de casa. O Morumbi tem que voltar a ser a nossa casa, o estádio que o adversário não quer vir jogar. Resgatar essa confiança do torcedor de ir ao estádio e apoiar. A mudança de postura tem que vir dos jogadores, mostrar isso para o torcedor".
Perfil
"Todo mundo sabe o quanto eu sou chato, quanto fui chato. Os funcionários me abraçaram nesta hoje de manhã por causa disso. A Alemanha me deixou desse jeito, ser bem disciplinado. Conversei muito com diretores do Bayern de Munique sobre esse novo desafio na minha vida, eles vão me apoiar. O que tiver de inovação, coisa nova, estarei disposto a trazer por aqui. O que eu puder fazer para ajudar, farei".
