Na volta de Coutinho ao Vasco, auge foi goleada que fez Neymar chorar

Por IGOR SIQUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - A Barreira não virou baile, por mais que a euforia tenha sido grande ?e até justificável? diante da expectativa com a volta de Philippe Coutinho ao Vasco.

Mas o desfecho dessa história é a rescisão do contrato, a pedido do meia, após Coutinho virar alvo de xingamentos em São Januário.

Em comunicado, Coutinho disse que estava "muito cansado mentalmente" e entendeu que o ciclo no Vasco tinha acabado.

Da apresentação, em 11 de julho de 2024, ao jogo que em que saiu no intervalo contra o Volta Redonda e nem voltou para o restante do jogo, teve 81 partidas e momentos de genialidade.

O auge foi um jogo que virou histórico: 6 a 0 sobre o Santos, com dois gols de Coutinho e um atropelo vascaíno pelo Brasileirão. Neymar deixou o campo chorando depois da surra.

O camisa 10 do Santos, inclusive, comentou na publicação de despedida de Coutinho nesta quarta-feira (18): "Cabeça boa, meu irmão. Estou contigo sempre". Os dois se conhecem desde a base e foram juntos à Copa 2018.

Outro capítulo especial de Coutinho no Vasco foi o gol no clássico contra o Flamengo, no Brasileirão 2024, que evitou a derrota vascaína. O jogo foi 1 a 1. Em menor escala, a qualidade técnica apareceu em dribles e na cobrança de falta certeira contra o Ceará, em São Januário, ano passado.

DESEMPENHO DE COUTINHO NA PASSAGEM PELO VASCO:

2026: 7 jogos / 3 gols / 1 assistência

2025: 56 jogos / 11 gols / 5 assistências

2024: 18 jogos / 3 gols / 1 assistências

Total: 81 jogos / 17 gols / 7 assistências

A SEPARAÇÃO

Mas o fim da passagem pelo Vasco se dá em um contexto de desempenho abaixo do esperado e uma pressão até então descomunal da arquibancada sobre o craque.

No sistema de Fernando Diniz, o Vasco passou a ter dificuldade de fazer gols, sobretudo neste 2026 sem Rayan. Ano passado, a campanha em queda livre na reta final do Brasileiro contrastou com um time finalista da Copa do Brasil. Mas o título não veio.

Em campo, Coutinho alternava momentos profícuos na criação, como contra a Chapecoense ?que curiosamente terminou empatado, de tanto que o Vasco perdeu gols. Mas também de sumiços? o primeiro tempo contra o Volta Redonda foi assim. E em vez de jogar o mais perto da área possível, o meia aparecia na saída de bola, quase ao lado dos zagueiros e do goleiro.

Quando Coutinho começou a ser vaiado de forma mais intensa, Diniz saiu em defesa: "O Coutinho é um presente para o Vasco", resumiu. O treinador sempre disse ter ótima relação com o meia. Ano passado, revelou que ajudou Coutinho a desistir de abandonar a carreira.

Como o comunicado de Coutinho aponta, a questão atual é também psicológica.

Naquele momento, na ida para o vestiário, eu senti e percebi que meu ciclo no clube tinha acabado, e eu não voltei para priorizar minha saúde mental. Isso dói muito.

Foi esse o sentimento dele após a caminhada no gramado na qual ouviu: "Ei, Coutinho, vai tomar no c...". Tanto que nem para o segundo tempo voltou.

O Vasco reagiu, se classificou com sofrimento, nos pênaltis. Mas agora precisará seguir a vida sem Coutinho. E Coutinho sem o Vasco ao menos como ambiente de trabalho.

"Vou levar o Vasco comigo para sempre. No peito. Na história. Na vida", disse o jogador.