Conselho de Ética do São Paulo vai analisar compra de áudios do caso camarote

Por VALENTIN FURLAN

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Conselho de Ética do São Paulo abrirá uma investigação sobre a compra dos áudios que deflagraram o escândalo de camarote no Morumbis, antes da abertura do processo de impeachment do ex-presidente Julio Casares.

NOVA INVESTIGAÇÃO

Após ouvir Douglas Schwartzmann e Mara Casares, o colegiado pretende discutir a atuação de conselheiros apontados como envolvidos na obtenção do material, entre eles Vinicius Pinotti e Fábio Mariz. Pinotti deve ser candidato à presidência do clube na eleição de dezembro.

A apuração sobre a compra dos áudios, porém, só deve entrar formalmente na pauta após a conclusão das recomendações relacionadas a Douglas e Mara. A expectativa é que esse parecer seja finalizado em até duas semanas.

Protagonista do caso, Rita de Cássia Adriana Prado vendeu o áudio que deflagrou o escândalo a um grupo de opositores do clube. O material envolve uma conversa telefônica entre Douglas e Mara, na qual ambos se referem ao camarote como clandestino e afirmam que o negócio não foi "normal". Após a divulgação, os dois pediram afastamento dos cargos.

Houve registros de pagamentos e negociações envolvendo terceiros ligados a conselheiros do clube. Depois da venda do áudio, surgiram divergências sobre valores e sobre a estratégia de divulgação do material, e Adriana passou a adotar publicamente uma linha de defesa dos dirigentes.

ESFERA CRIMINAL

Paralelamente às apurações internas, o caso também avança na esfera criminal.

Adriana compareceu à delegacia nesta terça-feira, mas optou por permanecer em silêncio e não respondeu às perguntas. Ela chegou a desmaiar na saída.

A investigação é conduzida pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e pela 3ª delegacia especializada em lavagem de dinheiro, em atuação conjunta com o Ministério Público, e apura, além do uso irregular de camarotes, suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção no clube social.

O São Paulo é tratado como vítima e ainda deve informar oficialmente o prejuízo financeiro estimado.

RELEMBRE O CASO

Schwartzmann e Mara Casares protagonizaram um áudio no qual falam de uma suposta comercialização ilegal de ingressos de um camarote para o show da cantora Shakira, que ocorreu em fevereiro do ano passado, no Morumbis. Ambos seguem afastados e alvos de sindicância interna.

O nome do Marcio Carlomagno, considerado internamente o 'braço direito' de Casares, indicado pelo mandatário como superintendente geral do clube no CT da Barra Funda e até então principal nome da situação política para a eleição presidencial do clube em 2026, também foi citado no áudio.

Douglas reconhece que a operação foi clandestina, afirma que Carlomagno tinha conhecimento dos fatos e demonstra preocupação com os reflexos internos no clube, incluindo o risco de punições e desgaste político para os envolvidos.

O camarote envolvido é o 3A, localizado no setor leste do estádio e registrado nos sistemas internos como "sala da presidência".

Mara Casares teria recebido de Carlomagno o direito de uso do camarote 3A do estádio e repassado o espaço para exploração comercial no show de Shakira, em fevereiro. A venda dos ingressos ficou a cargo de Rita de Cássia Adriana Prado, que faturou cerca de R$ 132 mil com entradas de até R$ 2.100.

O caso avançou para a esfera judicial após Adriana acionar uma empresa parceira por suposta apropriação de ingressos sem pagamento. Com o boletim de ocorrência e o processo em andamento, Douglas Schwartzmann e Mara passaram a pressioná-la para retirar a ação.

O escândalo foi o que fomentou o afastamento dos diretores, alvos de auditorias interna e externa, bem como o processo de impeachment que culminou na renúncia de Casares à cadeira de presidente. Carlomagno acabou tendo demissão encaminhada dois dias depois de Harry Massis Júnior assumir a presidência do clube.