Dorival vira 'malabarista' de minutos para ter Corinthians forte na semi

Por FÁBIO LÁZARO

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A estratégia firmada entre a comissão técnica e o departamento físico tem sido determinante para o Corinthians atravessar um período decisivo com o maior número possível de jogadores à disposição.

MESCLA É ESTRATÉGICA

O técnico Dorival Júnior avalia o elenco corintiano como enxuto e, por isso, trabalha para evitar novas perdas por lesão. Para equilibrar desempenho esportivo e condição física, o treinador atua em sintonia constante com os setores de saúde e performance do clube.

A ideia é ter o maior número de atletas disponíveis, ainda que nem todos estejam aptos a atuar durante os 90 minutos. O controle de carga acontece por meio de avaliações periódicas sobre os índices físicos individuais.

Foi com base nesse planejamento que Dorival levou todo o elenco a Belo Horizonte para enfrentar o Cruzeiro, mas preservou seis titulares no início da partida. Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique, Matheus Bidu, André e Memphis Depay começaram no banco. Dois deles ?André e Memphis? entraram no decorrer do jogo. Rodrigo Garro, tratado como uma espécie de 12º jogador, também foi acionado.

Em contrapartida, Raniele e Breno Bidon, normalmente titulares, iniciaram a partida, mas foram substituídos no intervalo, mesmo com a equipe em desvantagem no placar. A decisão fazia parte de uma programação previamente definida.

Embora o Brasileiro seja a prioridade neste início de temporada, Dorival reconhece o peso dos confrontos eliminatórios. Por isso, o objetivo é ter o time o mais próximo possível da formação ideal na reta final do Campeonato Paulista.

CONTROLE PARA EVITAR LESÕES

A principal meta da comissão técnica é reduzir o risco de novas lesões, ainda que algumas situações sejam consideradas inevitáveis. Atualmente, três jogadores estão no departamento médico por problemas musculares: Matheus Pereira, Kaio César e Yuri Alberto.

Todos eles vêm de uma temporada emendando uma na outra, sem férias. Dois chegaram ao clube já em 2026 e não passaram pela programação física iniciada ainda na temporada anterior, fator considerado relevante internamente.

Em meados de outubro, a área de saúde e performance traçou estratégias diante do curto intervalo entre temporadas, sobretudo com o Corinthians chegando à final da Copa do Brasil. O cenário ideal era o de título, pois permitiria a manutenção do ritmo competitivo.

Ainda assim, sempre houve a consciência de que o impacto físico seria significativo. Diante disso, o foco passou a ser a minimização de riscos por meio do controle rigoroso de minutagem.

CASOS ESPECÍFICOS

Cada jogador é tratado de forma individual. Um exemplo é o volante Carrillo, que não saiu do banco contra a Portuguesa, mas atuou durante os 90 minutos diante do Cruzeiro, algo que não ocorria desde 26 de julho do ano passado.

Nesse intervalo, o atleta sofreu uma lesão ligamentar no tornozelo esquerdo, que o afastou dos gramados por quase três meses. Esse histórico é levado em consideração no planejamento físico.

Mesmo em casos de lesões por impacto, há cautela para evitar retornos precipitados e sobrecarga muscular.

PEDIDO POR REFORÇOS

Esse cenário de elenco curto e atenção permanente à parte física ajuda a explicar os pedidos recorrentes de Dorival por reforços. O treinador entende que, ao menos, mais quatro atletas seriam ideais para fechar o grupo, garantindo reposições sem perda de nível técnico.

Também há o desejo de elevar a intensidade e o nível de entendimento nos treinamentos, algo que só seria possível com mais jogadores para conciliar carga e descanso.

Com dois times considerados competitivos, Dorival acredita ser possível promover um revezamento mais efetivo, mantendo o mesmo escopo tático.