Filipinho une 'vivências' em volta ao Brasil
RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Em uma rua badalada no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, Filipe Toledo provou que já se sente em casa, enquanto atravessa nova fase da vida. De volta ao Brasil após 11 anos morando na Califórnia, ele se prepara para a temporada 2026 do Circuito Mundial e, inclusive, se mostra ansioso para uma mudança no calendário.
O bicampeão mundial atendeu a reportagem em meio à inauguração de um novo empreendimento do ramo da culinária havaiana.
"A Califórnia foi um momento onde eu vivi muito feliz, conquistei inúmeros objetivos. Volto pro Brasil hojecom uma família, com uma cabeça de empreendedor... Muita coisa acontecendo, e eu quis aproveitar essa oportunidade na minha vida fora do surfe também. E acho que traz uma chama mais viva dentro de mim para a minha vida profissional como surfista", disse.
"Estar no Brasil, estar mais perto do público, em eventos como esse, em momentos como esse, acho que tudo se alinhou para que as coisas estivessem acontecendo dessa forma. Estou muito feliz no momento de vida que a gente está agora, eu como surfista e como empreendedor."
Em janeiro, a World Surf League (WSL) anunciou alterações para 2026, com a saída de Jeffreys Bay, na África do Sul, por questões financeiras, e a entrada da etapa em Raglan, na Nova Zelândia, local onde Ricardo Toledo, pai de Filipe, já competiu.
Ricardinho, como é conhecido, foi surfista profissional e ganhou destaque por um estilo com manobras mais fortes ?foi três vezes campeão brasileiro.
"Vejo como um ponto positivo. Eu já tive ótimos resultados em ondas para a esquerda. Eu nunca fui nesse pico da Nova Zelândia, mas meu pai já teve a oportunidade de ir, há mais de 30 anos, e sempre me falou que esse pico é alucinante, que é animal. E eu vou poder ter a oportunidade de competir lá, em um lugar onde meu pai já competiu. Vai ser divertido, acho que posso mostrar o meu surfe de backside. Acho que vai ser legal, estou feliz, ansioso. É uma etapa nova, traz uma animação a mais também", falou.
Recentemente, a Federação Internacional de Surf (ISA) decidiu alterar o sistema de classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, e provocou reação entre atletas da elite mundial, dentre eles, Filipe Toledo. Apesar disso, o brasileiro reforçou a vontade de brigar por medalha para o Brasil.
Sem dúvida, é sempre um objetivo participar das Olimpíadas. Tive a oportunidade de fazer parte em 2024 [Paris], e 2028 está logo aí. Os Jogos vão ser em Trestles [Califórnia], praticamente no quintal de casa (risos). Então vamos nos dedicar ao máximo no ano que tiver que nos dedicar. Mas esse é um ano para focar no Circuito Mundial.
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O QUE MAIS ELE FALOU?
Expectativa para a temporada 2026
"A expectativa é muito boa. Estou me sentindo muito bem. Acho que tem tempo que eu não faço uma pré-temporada tão focada igual eu estou fazendo. Junto com o Rapha [Raphael Romano], que é o meu treinador. Estou muito feliz com tudo o que está acontecendo. Como surfista, mais maduro, este tempo em casa foi fundamental para mim também. Já deu saudade de voltar para o circuito e representar o Brasil da melhor forma".
Momento de vida, voltando a morar no Brasil
É um momento muito legal, é uma expansão do nosso sonho. Trazer o Let's Poke para o Rio de Janeiro, especialmente para a Dias Ferreira, uma rua icônica aqui no Leblon... O Let's Poke é uma comida que faz parte do meu estilo de vida. Acho que tem tudo a ver com o estilo de vida carioca, a galera vai gostar. Já temos um pezinho aqui no Rio, estamos em todo evento em Saquarema [cidade onde acontece etapa da WSL]. É um momento legal como profissional e como pai, marido, fora d'água também".
Mudança grande de vida?
"Acho que a cultura é algo muito diferente do que a gente vive aqui no Brasil. E eu queria, realmente, estar perto aqui do público, das marcas que me valorizam aqui no Brasil também. Óbvio, mantendo o meu pé lá na América do Norte, com os meus patrocinadores também. Mas acho que é isso... Os meus filhos também precisavam viver um pouco dessa cultura brasileira, já que nasceram lá. Acho que foi bom pra todo mundo. Foi um ciclo que se encerrou lá e a gente precisava vir para cá para poder aproveitar esse momento. Estamos muito felizes".
Vai ter uma base no Rio de Janeiro?
"A minha casa vai ser aqui no Rio de Janeiro e eu vou ter uma base estratégica nos Estados Unidos para quando eu precisar ficar, ter algum tipo de reunião, algum tipo de demanda lá. É, realmente, uma base estratégica ter a Califórnia como a minha segunda casa".
Em uma coletiva você já contou como o surfe fortaleceu sua relação familiar, pai e filho... Seus filhos ainda conseguem acompanhar?
"Eles vão crescendo e vai se tornando um pouco mais difícil (risos). Escola, mais demandas, mais responsabilidade. Eles puderam me acompanhar durante muito tempo, vivi muito isso com eles. Eu curti muito. Eles viveram essa doideira de mudança junto conosco... Como pai, posso falar que eles foram fenomenais, incríveis, para que tudo isso acontecesse de uma maneira muito mais tranquila. Eles seguraram muito bem a onda e, hoje, estão podendo desfrutar disso. Quero que eles sejam felizes".
Saquarema, agora, é ainda mais sua casa?
"Pô, nem me fala, Saquarema agora é apenas duas horinhas, não tem mais as 12 horas de avião. Para em São Paulo, vem pra cá, agora é mais rápido, né? Então... Acho que é isso, acho que é continuar fazendo o que eu fazia em todos os eventos, manter o meu time pertinho, a minha família junto, focado e entregar o meu melhor em Saquarema e claro em todo o ano também".
Acredita que até onde pode ir a brazilian storm?
"Temos uns garotos que são mais novos do que eu, do que o Gabriel [Medina]... A molecada está chegando. Espero que eles possam pegar um pouco dessa garra, desse sangue no olho que a gente batalhou durante muitos anos para poder conquistar o nosso espaço no Circuito Mundial. Que eles possam continuar nos representando da melhor forma. Acredito muito no surfe brasileiro e acho que é interessantíssimo ver esse o trabalho nas categorias de base sendo feito com muito carinho, com muita dedicação, para que possamos ver aí mais brasileiros campeões mundiais daqui a alguns anos. E durante todos esses anos representando a brazilian storm, que fez muito por nosso esporte, pelo Brasil... É uma honra poder fazer parte disso".
