Atletas acusam torcedor de racismo no Paulistão A4; presidente se revolta
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um jogo da quarta divisão do Campeonato Paulista teve o protocolo antirracismo ativado por ofensas ao meia Yan Gabriel, do Colorado Caieiras, em partida contra o Lemense, em Leme, no interior de São Paulo. O presidente do clube, Alexandre Barbosa, ameaçou tirar o time da competição se os torcedores voltarem a cometer racismo.
Torcedor do Lemense teria insultado o meia do Colorado Caieiras. Segundo a súmula da partida, o goleiro reserva da equipe da casa, Juan Julio, foi até o árbitro e relatou que o torcedor insultou seu companheiro de equipe de "cabelo de neguinha".
Protocolo antirracismo foi ativado. O árbitro paralisou a partida após a acusação feita pelos atletas do Colorado Caieiras, aos 42 minutos do 2º tempo. O jogo voltou dois minutos depois. Ainda de acordo com a súmula, o autor das ofensas não foi identificado, e um boletim de ocorrência foi registrado.
Depois da partida, o presidente do Lemense saiu em defesa de meia do Colorado Caieiras. O clube publicou um vídeo em que Alexandre Barbosa aparece ao lado de Yan Gabriel. O dirigente afirmou que deixará a cidade caso torcedores do time voltem a cometer racismo.
"O que fizeram com Yan hoje não existe. Se acontecer de novo, eu não trabalho mais aqui em Leme e vou embora. Levo o clube embora para longe. Não faço o sacrifício que faço, de tirar da minha família, para passar essa vergonha aqui. Não vou aceitar mais", disse Alexandre Barbosa, presidente do Lemense.
O dirigente afirmou que tira a equipe do campeonato se o ocorrido se repetir. "Não estou investindo o que estou investindo para acontecer isso. Se isso acontecer de novo, acabou o campeonato para o Lemense. Não estou nem aí. Não dependo de futebol para viver. Minha vida é muito boa sem o futebol", completou.
O Colorado Caieiras compartilhou o vídeo publicado pelo Lemense e também se manifestou, em comunicado oficial. O clube reforçou que racismo é crime, prometeu ir atrás das medidas cabíveis e defendeu o atleta.
"Atitudes discriminatórias ferem não apenas o atleta atingido, mas também os valores que o esporte representa para toda a sociedade. Nos solidarizamos com nosso jogador e reforçamos que medidas cabíveis serão tomadas, para que situações como essa sejam devidamente apuradas e responsabilizadas", disse Colorado Caieiras, em nota
Em nota, a Federação Paulista de Futebol repudiou o ato racista e cobrou as autoridades. "A FPF confia que as autoridades investiguem mais este crime de preconceito cometido em um estádio do Estado de São Paulo. É inadmissível, que praças esportivas continuem sendo palco para os mais diversos crimes de intolerância e racismo sem punição aos criminosos", disse.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) para pedido de posicionamento sobre a ocorrência. O texto será atualizado em caso de resposta.
Veja a nota completa da FPF:
A Federação Paulista de Futebol lamenta e repudia veementemente os atos racistas sofridos pelo atleta Yan Gabriel, do Colorado Caieiras, neste sábado (7) durante o jogo entre Lemense e o clube de Caieiras no estádio Municipal Bruno Lazzarini, em Leme, pelo Paulistão A4 Rivalo.
A FPF confia que as autoridades investiguem mais este crime de preconceito cometido em um estádio do Estado de São Paulo. É inadmissível, que praças esportivas continuem sendo palco para os mais diversos crimes de intolerância e racismo sem punição aos criminosos.
A FPF reforça que manifestações racistas, assim como qualquer forma de discriminação, são inaceitáveis e não serão toleradas. Seguiremos firmes na defesa dos valores da diversidade, da inclusão e da dignidade humana, atuando de forma permanente na conscientização, prevenção e combate a atitudes discriminatórias, para que o futebol seja um espaço seguro, acolhedor e respeitoso para todos.
