Decisões de Dorival incomodam e abalam respaldo do treinador no Corinthians

Por FÁBIO LÁZARO

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A atuação do Corinthians na derrota por 3 a 1 para o Fluminense, na noite desta quarta-feira (1º), abalou o respaldo conquistado pelo técnico Dorival Júnior durante o período de Data Fifa.

A diretoria corintiana se incomodou com decisões do treinador e deve reavaliar o trabalho nos próximos dias. A principal crítica interna foi a escalação do volante Charles entre os titulares.

Além disso, a involução da equipe, mesmo após dez dias sem jogos, irritou a cúpula do clube.

PRESSÃO CRESCE

A tendência inicial é de manutenção de Dorival Júnior ao menos até domingo, quando o Corinthians enfrenta o Internacional. A partida será válida pela 10ª rodada do Campeonato Brasileiro, na Neo Química Arena.

Em caso de nova derrota, a situação do treinador tende a se tornar insustentável, mesmo com o mês de abril apenas no início. Até o jogo no Maracanã, a avaliação interna era de que a temporada passaria diretamente pelos dois meses seguintes, com a disputa da fase de grupos da Libertadores e da quinta fase da Copa do Brasil.

Nas reuniões entre diretoria e comissão técnica, há expectativa de desempenho competitivo principalmente nos torneios de mata-mata, com foco especial na Libertadores. O torneio continental é o grande objetivo esportivo do clube em 2026.

Internamente, o resultado e o desempenho diante do Fluminense foram tratados como algo próximo de uma "hecatombe", cenário que, até então, era considerado improvável para abalar a convicção no trabalho.

DIVERGÊNCIAS INTERNAS E ENTRAVES FINANCEIROS

O executivo de futebol Marcelo Paz é favorável à continuidade de Dorival Júnior, mas respeita a autonomia do presidente Osmar Stábile, responsável pela decisão final.

Aliados de Stábile, embora façam ponderações, também avaliam que uma eventual demissão neste momento poderia prejudicar o andamento da temporada. Ainda assim, entendem que um revés diante do Internacional mudaria o cenário atual.

Paralelamente, uma possível troca no comando técnico enfrenta entraves financeiros. O Corinthians demonstra preocupação com a falta de recursos em caixa para arcar com cerca de R$ 8 milhões referentes à multa rescisória do treinador, equivalente a três salários.

NOMES AVALIADOS E CENÁRIO DE MERCADO

Em caso de mudança, nomes como Tite, Fernando Diniz e Filipe Luís já foram analisados internamente.

Esses treinadores chegaram a ser discutidos em momentos anteriores de pressão sobre Dorival, mas o entendimento era de que não representariam uma mudança significativa em relação ao trabalho atual.

Esse cenário, inclusive, contribuiu para a manutenção do treinador durante a Data Fifa.

Juan Pablo Vojvoda também foi considerado, mas é visto como uma opção de risco pelo departamento de futebol, principalmente por não ter o perfil considerado ideal para lidar com as características do elenco corintiano.