A gente acha que nossos ídolos são eternos, mas não são, diz Hortência após morte de Oscar
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A morte de Oscar Schmidt, aos 68 anos, não abriu apenas um vazio na história do basquete. Arrancou do esporte brasileiro uma de suas vozes mais obstinadas, um símbolo de garra que, para muitos, parecia imune ao tempo. Era assim que Hortência Marcari, 66, enxergava o amigo.
"Quando a gente fala do Oscar, o que vem à cabeça é um cara extremamente patriota, de uma garra excepcional, determinado, com valores muito fortes, dentro e fora da quadra", disse ela à reportagem.
A Rainha do basquete sabia que a saúde de Oscar estava debilitada, mas ainda assim foi surpreendida pela notícia. "Veio como uma bomba", disse à reportagem. "Parece que ainda não caiu a ficha."
Oscar morreu nesta sexta-feira (17), em São Paulo. Estava internado no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana de Parnaíba.
A amizade entre Oscar e Hortência atravessou décadas, quadras e países. Ela lembra de um torneio de três pontos na Itália em que competiram juntos. "A gente ganhou, mas não por mim. O Oscar é um fenômeno. Ele não erra", contou. "As pessoas diziam que ele era fominha, mas ele respondia: 'eu só chuto as bolas que passam pra mim'."
Para ela, mais do que o talento, o que vai ficar é o retrato de um atleta que transformou obsessão em método e disciplina. "Não era 'Mão Santa'. Era treino."
Hortência também destacou o impacto de Oscar além das quadras. "Ele não era só do basquete, era do esporte como um todo. Deixou um legado de credibilidade, de palavras fortes, de incentivo para todo mundo."
A notícia da morte a pegou no meio da estrada. Ela voltava para casa quando recebeu a ligação. "Quando a gente tem um ídolo, acha que ele é eterno", disse. "E ele não é. É isso que mais choca."