Oscar perdeu eleição para o Senado e comparou Suplicy a Scottie Pippen
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Morto nesta sexta-feira (17) aos 68 anos, Oscar Schmidt teve uma breve carreira política. Foi secretário municipal de Esportes de São Paulo na administração de Celso Pitta e se candidatou ao Senado em 1998, mas não foi eleito.
Lenda do basquete disputou a vaga de senador na chapa de Paulo Maluf, pelo antigo PPB (Partido Progressista Brasileiro). Em 2003, o partido passou a se chamar apenas PP (Partido Progressista).
Oscar perdeu para Eduardo Suplicy (PT). Candidato por São Paulo, o atleta recebeu mais de 5,7 milhões de votos e chegou ao segundo lugar, com 36,9% dos votos; Suplicy venceu com 43,1%.
Oscar comparou Suplicy ao astro da NBA Scottie Pippen. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele disse que perdeu a eleição porque "lutava contra um dos senadores mais conceituados da história."
"Foi uma infelicidade enfrentar um político desse nível. Mas mesmo assim causei preocupação. Tiveram que mobilizar o partido, intensificar a campanha dele, pois eu estava chegando. Foi da mesma forma quando enfrentamos o 'Dream Team', e o Scottie Pippen, ao me marcar, puxava minha camisa, pisava no meu pé. E eu falava: 'Pôxa, o Scottie Pippen precisa fazer isso comigo?'. Aquele era o maior respeito que eu podia ter do Scottie Pippen. A mesma coisa consegui na política, em relação ao Suplicy", afirmou Oscar, em entrevista à Folha de S. Paulo, em 1998.
"Experiência alucinante e maravilhosa", disse Oscar sobre eleição. "Só não foi mais bonita porque não ganhei a eleição. Queria ser eleito para poder fazer algo mais do que faço como jogador, que era ajudar, por meio de projetos e aprovações de leis, as crianças e adolescentes a se afastarem das drogas", afirmou à Folha de S. Paulo.
Em um dos vídeos da campanha, defendeu a educação como forma de recuperar menores infratores. O então candidato prometeu aumentar a rede de escolas urbanas e rurais, elevar a qualidade do ensino e aumentar o salário de professores.
Jogador desistiu da carreira política. Ele resolveu focar no basquete, mas afirmou que, caso se candidatasse mais uma vez, tentaria o Senado novamente. "Não sei dizer o porquê, mas senador é uma coisa que eu gostaria de ser."
Um ano antes, Oscar foi secretário do prefeito Celso Pitta. Ele comandou a Secretaria de Esportes da capital paulista entre dezembro de 1997 e abril de 1998. Uma de suas propostas era firmar parcerias com a iniciativa privada para construir quadras esportivas na periferia.
Em 2022, recebeu uma proposta para ser candidato ao Senado novamente, mas recusou. "Falei 'não' para muito dinheiro e com a consciência total de que estava fazendo o certo. Não dá para colocar a mão no fogo [por político] porque é certeza de que vou me queimar, é muito dinheiro [envolvido]. O povo não pensa no país, pensa no bolso deles", contou em entrevista ao Alt Tabet, do canal UOL.
Oscar disse que votou em Jair Bolsonaro, mas se arrependeu. O atleta criticou a postura do então presidente durante a pandemia de covid-19. "Eu achei que seria diferente. Confiei e me arrependi. Ele tem mostrado ser outra pessoa, com um despreparo danado para ocupar um posto tão importante."
Em 2022, ele revelou que anulou seu voto. Em entrevista ao Alt Tabet, disse que Bolsonaro foi "engolido pelo sistema" e que o ex-presidente errou ao defender os filhos em polêmicas e supostos casos de corrupção.