Apadrinhado por Maluf, Oscar tentou carreira na política

Por PATRICIA ZORZAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Oscar Schmidt estreou na política em 1997 como um dos nomes promissores do malufismo. Filiado ao então PPB (Partido Progressista Brasileiro), hoje PP, foi nomeado secretário de Esportes pelo prefeito Celso Pitta. Durante sua gestão, dedicou-se a promover projetos voltados a sua área de atuação por 27 anos.

Mas não demorou muito para que Paulo Maluf visse no campeão carismático do basquete uma oportunidade de atrair o voto dos eleitores mais jovens e, naturalmente, mais refratários a seu nome. Por isso, depois de pouco mais de um ano, Oscar deixou o cargo na administração paulistana para disputar o Senado na chapa encabeçada por seu padrinho político na busca pelo governo do estado. "Não quero montar uma escolinha de basquete e formar 50 jogadores. Quero participar dos destinos do Brasil."

Criado em uma família malufista, afirmava, durante a campanha, integrar o "PDM, Partido do Maluf?. "Ele é meu ídolo." Nas ruas, causava alvoroço por onde passava.

Durante as tradicionais carreatas promovidas pelo pepebista por todo o estado, espremido dentro de um pequeno jipe, arremessava bolas de basquete autografadas, souvenir disputadíssimo pelos eleitores que acompanham o cortejo eleitoral e gritavam seu nome.

Gigante gentil, atendia a todos com a delicadeza e a simpatia que já haviam marcado sua atuação no esporte. Parecia sempre feliz.

Entre seus projetos como senador, destacava a criação de leis de incentivo fiscal para o esporte e a obrigatoriedade de aulas de civismo e de formação religiosa nas escolas.

Novato no jogo político, Oscar conseguiu quase 37% dos votos válidos, o equivalente a quase 6 milhões de eleitores, perdendo para Eduardo Suplicy.

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RESULTADO DA DISPUTA PARA SENADOR POR SP EM 1998

Eduardo Matarazzo Suplicy (PT) - 6.718.463 votos - 43,07%

Oscar Daniel Bezerra Schmidt (PPB) - 5.752.202 - 36,87%

João Leite Neto (PTB) - 2.300.545 - 14,75%

Jooji Hato (PMDB) - 299.178 - 1,92%

Almino Monteiro Alvares Affonso (PDT) - 161.093 - 1,03%

Fonte: Fundação Seade

"Foi uma infelicidade enfrentar um político desse nível. Mas, mesmo assim, causei preocupação. Tiveram que mobilizar o partido, intensificar a campanha dele, pois eu estava chegando."

Apesar de ter sido considerado um fenômeno eleitoral e de declarar publicamente que gostaria de ser presidente, resistiu a novos convites para a disputa de cargos públicos, dizendo ter se arrependido de sua participação em 1998.

"Eu iria ser um bom presidente, mas não quis mais. Fiquei decepcionado [com a política]. É um lugar que não era feito para mim", afirmou ao UOL, em 2024.

O anunciado desencanto, entretanto, não o impediu, anos depois, de declarar seu apoio entusiasmado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso por tentativa de golpe de Estado.

"Achei que seria diferente. Confiei e me arrependi", chegou a dizer. "Em 2022 não votei em ninguém. Anulei o voto."

Também derrotado na disputa de 1998, Maluf seguiu carreira política até 2017, quando foi condenado pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) a sete anos, nove meses e dez dias de prisão em regime fechado por crimes de lavagem de dinheiro. Ele também foi condenado à perda do mandato de deputado federal.

De acordo com a denúncia, enquanto era prefeito de São Paulo (1993 a 1996), Maluf ocultou e dissimulou dinheiro desviado da construção da avenida Água Espraiada (atualmente chamada de avenida Roberto Marinho). Na ocasião, a defesa alegou que houve "omissão", "contradição" e "obscuridade" no julgamento.