Enviado de Trump que pediu subsituição de Irã por Itália na Copa é ex de brasileira deportada por ICE

Por ISABELLA MENON

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Paulo Zampolli, enviado especial de Donald Trump par assuntos globais, sugeriu ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que a seleção do Irã deveria ser substituida pela Itália na Copa do Mundo de 2026, segundo uma reportagem do Financial Times.

Ele argumentou que os quatro títulos mundiais da seleção italiana justificariam a inclusão da equipe, apesar da não classificação esportiva. Próximo a Trump, Zampolli afirma ter apresentado Melania ao presidente e foi casado com a ex-modelo brasileira Amanda Úngaro, 41. Segundo o jornal New York Times, ele buscou ajuda das autoridades de imigração dos EUA em uma disputa com sua ex-companheira, que acabou sendo deportada.

O enviado especial para assuntos globais de Trump, Paolo Zampolli OLIVER BUNIC AFP Homem de meia-idade com cabelo escuro penteado para trás veste terno azul, camisa branca e gravata azul com padrão. Ele está em ambiente interno com fundo desfocado.

A reportagem sugere que Zampolli pode ter usado seus laços com a Casa Branca para perseguir sua ex-companheira de quase duas décadas, com quem briga pela custódia do filho.

Isso porque após a separação, em 2023, de acordo com o NYT, Ungaro mudou-se para a Flórida e casou-se com um médico brasileiro. O novo casal foi preso em junho de 2025, sob acusações de fraude, exercício ilegal da medicina e outros crimes após investigação da polícia local sobre o spa em que eles trabalhavam, que oferecia procedimentos estéticos. Eles se declaram inocentes.

O novo marido de Ungaro, portador de um "green card", foi solto sob fiança. Já a ex-modelo, por estar com o visto mais recente vencido desde 2019, permaneceu detida.

Zampolli teria descoberto que a ex-mulher estava presa em Miami e entrado em contato com David Venturella, alto funcionário do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), para denunciar que ela estava ilegalmente nos EUA. Ungaro foi deportada em outubro de 2025.

Ao New York Times, Zampolli negou ter pedido ao ICE qualquer favor relacionado a ela e disse ter conversado com Venturella para entender o caso.

Em nota à Folha, o Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, emitiu nota negando qualquer tipo de interferência externa no processo de deportação.

"O ICE prendeu, deteve e deportou Amanda Soares Ungaro-Felizardo porque ela é uma estrangeira ilegal criminosa que estava fraudando americanos e colocando a vida de pessoas em risco ao administrar uma clínica médica sem licença. Qualquer sugestão de que ela foi presa e deportada por razões políticas ou favores é falsa", diz o texto.

"Ela foi acusada de fraude organizada, possui duas acusações de furto qualificado e exercício ilegal da medicina. Ungaro-Felizardo originalmente veio aos Estados Unidos com um visto que exigia sua saída até 3 de novembro de 2019. Ela permaneceu ilegalmente no país por quase seis anos, violando nossas leis de imigração. Um juiz de imigração emitiu uma ordem final de deportação em 15 de setembro de 2025. Ela foi deportada em 1º de outubro de 2025", acrescenta o Departamento de Segurança Interna.

SUBSTITUIÇÃO DO IRÃ E ITÁLIA

Procurada sobre a sugestão realizada por Zampolli ao presidente Infantino, a Fifa não respondeu. Desde o início da guerra no Irã, a presença do país persa no campeonato está em dúvida. O ministro dos Esportes no Irã, Ahmad Donyamali, declarou em 11 de março de 2026 que o país não participará da Copa do Mundo de 2026 nos EUA.

O presidente Trump também se pronunciou dizendo que, apesar de bem-vindos no torneio, acreditava que não seria "apropriado eles estarem lá, para sua própria vida e segurança". O Irã chegou a solicitar que a Fifa transferisse as três partidas do grupo da equipe dos EUA para o México --o que foi rejeitado.

Apesar dos conflitos, a Fifa sempre manteve a posição de que apoia a presença do Irã no campeonato.

Após as declarações das autoridades, o Irã jogou um amistoso contra a Costa Rica, em que saiu vitorioso com uma goleada de 5 a 0. O presidente da Fifa, que esteve presente na partida, afirmou à agência de notícias AFP que o "Irã estará na Copa do Mundo".

"Estamos muito felizes porque eles são uma equipe muito, muito forte, estou muito contente. Eu vi a equipe, conversei com os jogadores e o treinador, então está tudo bem. Os jogos do Irã serão disputados onde devem ser, de acordo com o sorteio".

Além da declaração, ele também fez um post em conjunto com a federação de futebol do Irã, em que afirmou que o futebol é capaz de unir as pessoas, "mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras". "A Fifa vai continuar a apoiar o time e garantir as melhores condições enquanto eles se preparam para a Copa do Mundo. Aguardo na expectativa em vê-los entregar uma mensagem positiva de humanidade e união ao mundo."

A desistêcia da participação de uma nação na Copa do Mundo seria algo sem precedente na história do torneio. Porém, o regulamento da Fifa prevê que se qualquer membro desistir e/ou for excluído da Copa do Mundo, a Fifa decide sobre "o caso a seu exclusivo critério e tomará as medidas que considerar necessárias". Também diz que cabe a federação substituir o time por outro.

A reação sobre o pedido de Zampolli, como mostrou a agência de notícias Reuters, gerou gerou uma mistura de constrangimento e apatia. O ministro do Esporte, Andrea Abodi, disse que "em primeiro lugar, não é possível; em segundo lugar, não é apropriado... A classificação se conquista em campo".