Flamengo paga preço por não controlar jogo e deixa Palmeiras respirar
RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - Não foi só uma questão de ter menos posse de bola. O que o Flamengo viveu no clássico contra o Vasco - levando empate nos minutos finais após abrir 2 a 0 - reforçou uma armadilha que a proposta de jogo de Leonardo Jardim traz ao time: a falta de um controle efetivo.
Os sinais já estavam mesmo em vitórias recentes, com bolas sofridas no travessão e jogo lá e cá. Mas quando se perde chances, por mais confortável que possa ser estar com dois gols de vantagem em um clássico, o time fica sujeito a frustrações do gênero.
O preço do empate com o Vasco é a perda de uma oportunidade de ouro de reduzir a distância em relação ao Palmeiras na briga pela liderança do Brasileirão.
A visão desse Flamengo é clara: atacar de forma mais vertical, aproveitando os espaços que surgem de imediato, sem necessariamente tentar posicionar o time todo para a fase ofensiva e rodar a bola pouco.
Mas até o próprio Leonardo Jardim não curtiu o nível de afobação e falta de controle de jogo, sobretudo no segundo tempo, cujo último lance foi o gol de Hugo Moura.
"Com o nosso elenco, precisávamos dar outra resposta de maturidade e controle do jogo. Não conseguimos, e o responsável sou eu. Segurar mais a bola, aguentar mais a bola... Não conseguimos fazer esse jogo mais apoiado. Por demérito nosso e por mérito do adversário. Acabamos por nos expor", disse o treinador rubro-negro.
Se tivesse vencido, o Flamengo ficaria quatro pontos atrás do Palmeiras, com um jogo a menos. Esse cenário possibilitaria que uma vitória no confronto direto no Maracanã pudesse catapultar o time à liderança. Mas a conta ficou estagnada na diferença em vigor quando a rodada começou: seis pontos.
Não é por acaso que o Flamengo tenha cedido esse empate justamente no jogo em que se viu sem Arrascaeta, Paquetá e Carrascal, os nomes do elenco que podem atuar como maestros do meio-campo na fase de ataque.
Os dois primeiros estão lesionados, enquanto o colombiano cumpriu o último jogo de suspensão após punição no STJD.
Contra o Vasco, Jorginho foi o único com uma característica de trabalhar a bola com mais paciência, tentando municiar os quatro da frente: Luiz Araújo, Plata, Samuel Lino e Pedro.
Em relação aos três primeiros, a realidade é de condução de bola, tentativas de dribles e perdas de posse.
O jogo contra o Vasco ficou vivo e muito aberto mesmo quando o Flamengo construiu a vantagem de dois gols.
Na reta final, já com alterações como as entradas de De La Cruz, Saúl e Wallace Yan, o Fla se viu pressionado e não conseguiu se sustentar com e sem a bola.
"A gente sabe que com o Felipe Luís a gente tinha mais posse, geria mais o jogo antes de começar o nosso ataque. Com o Leonardo Jardim, é um pouco diferente. Até agora com o Leonardo, vem nos ajudando esse estilo de jogo dele. Não foi hoje com esse empate que vamos dizer coisas que não devemos. Tipo: 'Ah, agora está jogando dessa forma...' Acho que hoje contra o Vasco foi um erro mais na nossa parte dentro do jogo, final do jogo ali, falta de concentração. O empate também, com o Estudiantes, é um jogo muito difícil de Libertadores. Então, acho que cada um tem a sua forma de treinar. A gente tem que aprender com esse erro e aprender a gerir o jogo mais quando estiver ganhando, que é o mais importante para os próximos jogos", analisou o atacante Samuel Lino.