Nascida no Havaí, líder pelo Brasil, Luana Silva quebra jejum de 18 anos

Por GUILHERME DORINI

(UOL/FOLHAPRESS) - Luana Silva vive o melhor momento da carreira. Aos 21 anos, a brasileira assumiu a liderança do ranking mundial da WSL após o vice-campeonato na etapa da Gold Coast e ainda conquistou a Tríplice Coroa Australiana, prêmio dado à surfista mais consistente nas três primeiras etapas do Circuito Mundial no país.

Com o resultado, Luana quebra um jejum de quase duas décadas: é a primeira brasileira a liderar o circuito desde Silvana Lima, em 2008. Antes dela, apenas Jacqueline Silva havia alcançado o topo, em 2002.

O desempenho também reacende a esperança pelo inédito título mundial feminino para o Brasil - algo que passou perto com Silvana (2008 e 2009) e Tatiana Weston-Webb (2021), ambas vice-campeãs.

Nascida no Havaí, campeã mundial júnior e hoje sob o comando de um técnico acostumado a formar campeões, Luana reúne elementos que ajudam a entender por que chegou à liderança e virou uma candidata ao título mundial.

ORIGEM HAVAIANA

Apesar de defender o Brasil, Luana nasceu em Honolulu, no Havaí, e cresceu no North Shore de Oahu, um dos lugares mais icônicos do surfe mundial. Filha de brasileiros, sempre manteve uma forte conexão com o país, falando português em casa e cultivando laços com a família.

Até 2022, competia pelo Havaí, mas decidiu mudar de bandeira. Um dos principais fatores foi o sonho olímpico. Nos Estados Unidos, a concorrência por vagas é extremamente acirrada, enquanto representar o Brasil abria um caminho mais viável para chegar aos Jogos.

A escolha deu resultado: Luana representou o Brasil nas Olimpíadas de Paris, disputadas em Teahupo'o, no Taiti, e terminou na quinta colocação.

TALENTO LAPIDADO

Criada no coração do surfe mundial, Luana se acostumou desde cedo com ondas pesadas. Competindo no circuito de acesso desde 2017, já encarava Pipeline aos 12 anos, chamando atenção pela maturidade em condições desafiadoras.

Ao longo dos anos, ampliou o repertório viajando por lugares como Indonésia, Maldivas, México e Taiti, tornando-se uma surfista completa, capaz de performar em diferentes tipos de onda.

Em 2025, foi campeã mundial júnior da WSL - a primeira brasileira a alcançar o feito - e consolidou seu nome como uma das principais promessas da nova geração.

EVOLUÇÃO NO TOUR

Luana entrou para a elite em 2022, mas enfrentou um início irregular, chegando a ser cortada no meio da temporada em mais de uma ocasião. No ano passado, deu um salto de desempenho e terminou entre as dez melhores do mundo.

Agora vive sua fase mais consistente. Mesmo sem ainda ter vencido uma etapa do CT, já acumula resultados expressivos.

No ano passado, foi vice em Bells Beach e no Rio de Janeiro. Nesta temporada, repetiu a dose com finais em Margaret River e Gold Coast -desempenho que a levou à lycra amarela.

OLHO NO FUTURO

Treinada por Leandro Dora, um dos técnicos mais respeitados do surfe mundial, Luana dá sinais de que pode ir ainda mais longe. Grilo, como é conhecido, foi peça-chave na conquista do título mundial de Adriano de Souza, o Mineirinho, em 2015, e também teve papel fundamental na formação do filho Yago Dora, atual campeão mundial.

A próxima parada do Circuito Mundial acontece daqui a 10 dias, na Nova Zelândia, onde a brasileira tentará manter o embalo e defender a liderança do ranking.