Roger Machado no São Paulo custa 3 vezes menos que Dorival no Corinthians

Por VALENTIN FURLAN

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O técnico Roger Machado custa ao São Paulo cerca de três vezes menos do que Dorival Júnior custava ao Corinthians. Pressionado, ele comanda o time nesta quarta-feira (13), contra o Juventude, às 19h, fora de casa, no duelo de volta da 5ª fase da Copa do Brasil ? na ida, o Tricolor ganhou de 1 a 0.

FORA DA REALIDADE

Roger recebe aproximadamente R$ 700 mil mensais no São Paulo. Somando toda a comissão técnica, o custo gira em torno de R$ 1 milhão por mês.

Já Dorival, segundo disse o presidente do São Paulo, Harry Massis Jr., em áudio vazado nesta terça-feira, recebia entre R$ 2,8 milhões e R$ 3 milhões mensais junto de sua comissão técnica no Corinthians.

No áudio, Massis usa justamente o exemplo de Dorival para justificar por que o São Paulo não pretende trocar de treinador neste momento, mesmo diante da forte pressão sobre Roger após a derrota no clássico contra o Corinthians.

"Falam em Dorival... Eu conversei com o presidente do Corinthians, ele e a comissão ganhavam R$ 2,8 a 3 milhões por mês. É uma loucura", disse Harry Massis Júnior, em áudio.

FINANCEIRO EM CRISE

A cautela da diretoria também passa pelos custos acumulados com antigos treinadores. O São Paulo soma cerca de R$ 12 milhões em pendências com Luis Zubeldía e Hernán Crespo, os dois antecessores de Roger no cargo.

O UOL teve acesso a uma versão 'fechada' da prestação de contas de 2025. O documento acabou reprovado no Conselho Deliberativo após a identificação de um rombo de R$ 7 milhões sem justificativa.

Segundo as contas, o Tricolor deve aproximadamente R$ 7,5 milhões a Zubeldía, demitido em agosto do ano passado. O valor inclui multa rescisória e pendências ligadas ao treinador e à comissão técnica.

Substituto do argentino, Crespo assumiu antes mesmo de o clube concluir os detalhes da saída de Zubeldía. O treinador permaneceu no cargo por oito meses e também acabou demitido no início de abril.

A nova troca gerou R$ 4,5 milhões em custos de rescisão, ampliando ainda mais o passivo do clube com ex-comandantes.

BANCADO

A diretoria de futebol do São Paulo se reuniu com Roger na manhã desta segunda-feira e reforçou, como o UOL revelou, que o treinador não corre risco de demissão ?mesmo em caso de eliminação.

A conversa no CT da Barra Funda foi conduzida por Rui Costa, homem forte do departamento de futebol. Interlocutores classificaram a reunião como "boa" e disseram que o tom foi de transmitir confiança ao técnico.

Embora conversas entre dirigentes, comissão técnica e elenco façam parte da rotina do clube, a interação foi interpretada internamente como uma espécie de blindagem ao treinador.

A alta cúpula tricolor comunicou a Roger que ele deve permanecer no cargo mesmo em caso de eliminação nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, diante do Juventude.

A pressão sobre o treinador aumentou após a derrota para o Corinthians, mas há consenso entre fontes da liderança do clube de que, apesar da atuação ruim no clássico, a confiança no trabalho não está abalada.