Identificado com fé dos brasileiros, Ancelotti diz rezar por fim de lesões

Por THIAGO RABELO

(UOL/FOLHAPRESS) - A pressão pela convocação de Neymar não mexe com Carlo Ancelotti. A um mês da estreia do Brasil na Copa do Mundo, o técnico italiano se vê em uma lua de mel com o país, uma paixão antiga e que tem se fortalecido após um ano no comando técnico da seleção brasileira.

"Eu trabalhei com muitos brasileiros na minha carreira e eu realmente gosto desse espírito brasileiro pela seleção. Eles têm uma gana real em treinar, um amor especial pela camisa amarela. Esse amor especial pela seleção é muito peculiar do brasileiro. Em outros países, a seleção nacional não é tão importante como é no Brasil", disse Ancelotti ao jornal inglês "The Guardian".

Nascido na Itália, um país que assim como o Brasil tem no catolicismo sua maior vertente cristã, Ancelotti é um homem religioso e que tem a igreja como um norte para seus princípios. Essa semelhança com o Brasil, diz ele, é mais um ponto que o aproxima da população local.

"A religião me ensina coisas boas sobre como eu preciso conduzir a minha vida e respeitar os outros. Eu sou católico e a religião é muito importante para mim. Ela me ensina a ser uma boa pessoa no mundo", disse o treinador, que conta com a fé para não ter mais jogadores cortados por lesão.

"Sim (risos)", ele respondeu sobre rezar para que não tenha mais jogadores com problemas físicos. "Essa é uma preocupação que tenho. Nós já tivemos três problemas por lesão e eu espero que nós não tenhamos mais problemas antes da Copa do Mundo", completou.

O trabalho no Brasil é o primeiro de Ancelotti fora da Europa. Além da Itália, onde ele começou a vida como treinador após 16 anos como atleta, ele tem no currículo experiências como técnico na Inglaterra, França, Espanha e Alemanha, conquistando títulos nacionais em todos os lugares. A residência oficial do treinador é no Canadá, onde ele vive com a esposa Mariann Barrena.

Sobre o que diferencia o Brasil em relação aos outros locais em que viveu, Ancelotti voltou a valorizar algumas características que ele tem observado.

"O Brasil tem preservado sua própria cultura, é um país que sabe como valorizar a importância da família e da religião. São coisas que a Europa tem perdido. No esporte, os europeus não têm o mesmo amor pela seleção nacional. São aspectos que o Brasil tem mantido, enquanto a Europa tem perdido. Eu realmente admiro a alegria do povo brasileiro, a energia do país e a beleza do Rio de Janeiro. Isso é muito claro, especialmente no carnaval. Eu realmente gosto do Brasil", afirma.

Ancelotti divide o seu tempo entre o Rio de Janeiro, onde fica a sede da CBF, e Vancouver, cidade de sua esposa. Enquanto no Brasil ele convive com a pressão pelo título mundial e a convocação ou não de Neymar, a rotina no Canadá o afasta do futebol e dos problemas do dia a dia.

"Eu tenho três cachorros no Canadá. Um cachorro não é uma pessoa, mas é mais leal que uma pessoa. O cachorro não se importa se você ganha ou perde. Ele não te cobra. Quando você chega em casa, se você ganhou ou perdeu, o cachorro não se importa. O mais importante para eles é que você está em casa", avalia.