Operação-relâmpago, 'carteirada' e mais: como o São Paulo convenceu Dorival

Por VALENTIN FURLAN

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Da decisão tomada ainda no vestiário após a eliminação para o Juventude até a reunião que atravessou a madrugada em Florianópolis: a volta de Dorival Júnior ao São Paulo teve corrida contra o tempo, redução salarial e mobilização da cúpula tricolor para fechar o acordo.

PRIORIDADE ABSOLUTA

A volta de Dorival Júnior ao São Paulo começou a ser desenhada ainda na noite da eliminação para o Juventude, em Caxias do Sul. Logo após a derrota por 3 a 1 no Alfredo Jaconi e a demissão de Roger Machado, Rui Costa e Rafinha, que estavam com a delegação no Rio Grande do Sul, passaram a discutir imediatamente o nome do substituto junto do presidente Harry Massis Júnior, que permaneceu em São Paulo.

A definição foi praticamente instantânea: o próximo técnico deveria ser Dorival Júnior. O treinador era tratado internamente como prioridade absoluta da diretoria pela identificação construída com o clube e pelo histórico recente vencedor no Morumbi.

Rui Costa e Rafinha decidiram permanecer em Porto Alegre após a saída da delegação. O plano era viajar para Florianópolis na manhã seguinte para conversar pessoalmente com Dorival, apostando justamente na ótima relação construída com o treinador durante a passagem vitoriosa de 2023.

Nos primeiros contatos por telefone, Dorival já demonstrou desejo de retornar ao Morumbis. A sinalização positiva, revelada pelo UOL, acelerou o processo e fez com que Rui e Rafinha deixassem Porto Alegre rumo a Florianópolis para uma reunião presencial.

Ao mesmo tempo, um advogado do clube viajou de São Paulo para participar do encontro e tentar encaminhar toda a documentação necessária para que o acordo pudesse ser fechado rapidamente.

PEDIDA DIMINUIU

Dorival recebeu a comitiva são-paulina ao lado da família. O auxiliar Lucas Silvestre, filho do treinador, não participou do encontro porque estava viajando.

Segundo apurou o UOL, Dorival demonstrou desde o primeiro momento forte interesse em retornar ao Morumbis. O desejo de voltar ao clube fez, inclusive, com que o treinador reduzisse significativamente a pedida inicial apresentada ao São Paulo.

Mesmo assim, internamente havia a consciência de que a negociação envolveria valores altos. A diretoria entendia que estava tratando com um dos técnicos mais vencedores do futebol brasileiro nos últimos anos e sabia que a contratação não seria barata.

Para tentar viabilizar o acordo, o São Paulo apresentou um modelo de contrato até o fim da temporada e sem multa rescisória para nenhuma das partes.

Um interlocutor lembrou à reportagem que Dorival normalmente não costuma aceitar vínculos nesses moldes ?mas abriu exceção justamente pela relação construída com o clube e pelo desejo de retornar ao São Paulo.

CONVERSAS ATÉ A MADRUGADA

A reunião em Florianópolis avançou pela noite e entrou pela madrugada, mas terminou inicialmente sem acordo definitivo. Durante toda a negociação, Rui Costa e Rafinha mantiveram contato constante com Harry Massis Júnior, que acompanhava as conversas de São Paulo e dava as aprovações necessárias.

O acerto acabou sendo sacramentado apenas na manhã de sexta-feira.

Após a conclusão das negociações, Rafinha retornou para São Paulo e acompanhou normalmente as atividades do elenco. Rui Costa e o advogado do clube permaneceram em Florianópolis para finalizar a documentação, colher as assinaturas e liberar o anúncio oficial.

Durante a reunião, Dorival fez diversas perguntas sobre o momento atual do clube, desde a estrutura do departamento de futebol e as possibilidades de mercado para o restante da temporada.

O retorno do treinador gerou forte repercussão interna no CT da Barra Funda. Integrantes da comissão técnica de Dorival e pessoas próximas ao treinador entraram em contato com funcionários antigos do clube ainda durante a negociação, todos demonstrando entusiasmo e felicidade com a volta ao São Paulo.