Corinthians: queda de Andrés teve bate-boca, vice expulso e espuma
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A expulsão de Andrés Sánchez do quadro associativo do Corinthians foi marcada por discussões, questionamentos jurídicos, retirada de dirigentes da reunião e festa de torcedores do lado de fora do Parque São Jorge.
O Conselho Deliberativo aprovou nesta segunda-feira a exclusão do ex-presidente por 112 votos favoráveis, 49 contrários e seis abstenções.
CLIMA TENSO
Conforme apurou o UOL, a sessão teve momentos de tensão antes mesmo do início da votação. Conselheiros ligados ao ex-presidente tentaram mudar o formato da deliberação e levantaram questionamentos sobre a condução do processo por Leonardo Pantaleão, presidente em exercício do Conselho Deliberativo.
A principal divergência ocorreu em torno do modelo de votação. Segundo relatos obtidos pelo UOL, o ex-presidente Mário Gobbi defendeu que o voto fosse secreto e pediu ainda a inclusão de uma punição alternativa de suspensão.
Os pedidos foram rejeitados pela mesa sob entendimento de que não havia previsão estatutária obrigatória para voto fechado nem necessidade de inclusão de pena alternativa. Conforme apurado, os questionamentos foram registrados em ata e poderão ser usados futuramente em eventual tentativa de contestação judicial do resultado por parte de Andrés e seus aliados.
Outro ponto levantado durante a sessão foi a atuação de Pantaleão. Um conselheiro questionou o fato de ele acumular a presidência interina do Conselho Deliberativo e da Comissão de Ética, responsável pelo parecer que recomendou a expulsão de Andrés.
Segundo relatos obtidos, Pantaleão respondeu que não atuaria na sessão como integrante da Comissão de Ética e que não participaria da votação, limitando-se à condução dos trabalhos.
O ambiente no salão do Conselho teve discussões entre conselheiros e interrupções ao longo da reunião.
Houve bate-boca entre Mário Gobbi e o conselheiro Marcos Ribeiro Caldeirinha após nova defesa do voto secreto por parte do ex-presidente. Os dois trocaram acusações verbais durante a sessão. Integrantes presentes relataram que o episódio elevou o tom do ambiente pouco antes da abertura da votação nominal.
Ainda no início da reunião, Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, deixou o plenário após ser informado de que membros da diretoria não poderiam acompanhar a sessão. A decisão foi tomada pela presidência do Conselho.
Armando questionou a medida diante dos conselheiros e depois deixou o local. Outros integrantes da diretoria também saíram do plenário na sequência.
À imprensa, o dirigente criticou a condução da sessão e afirmou que a medida contrariava a tradição do clube.
nesta terça-feira (26) é um dia importante para a história do Corinthians. Em todas as reuniões do Conselho Deliberativo a diretoria sempre esteve presente, e eu estive presente em respeito, inclusive, ao Estatuto e ao Regimento Interno.Armando Mendonça
O vice-presidente afirmou ainda que questionou Pantaleão sobre a proibição da presença da diretoria no plenário.
Na convocação havia um item proibindo a presença da diretoria. Eu fui questioná-lo onde isso estava no Estatuto.Armando
O vice-presidente também criticou o acúmulo de funções de Pantaleão na presidência do Conselho Deliberativo e da Comissão de Ética.
nesta terça-feira (26) nós temos um presidente que acumula a função da Comissão de Ética e também preside o Conselho que vai julgar. Então nesta terça-feira (26) ele decide quem julga, como julga, de que forma julga e quando julga.Armando Mendonça
DEFESA RÁPIDA E VOTO ABERTO
A leitura do parecer da Comissão de Ética foi feita pelo conselheiro Rodrigo Bittar. Conforme apurou o UOL, houve acordo para que a apresentação, com duração de 30 minutos prevista inicialmente, tivesse o acréscimo de mais quatro minutos.
Andrés Sánchez foi representado pelo advogado Alexandre Imbriani, que recebeu o mesmo tempo concedido ao representante da Comissão de Ética. A defesa concentrou os argumentos na aprovação das contas do ex-presidente e na suposta ilegalidade da obtenção das provas utilizadas no procedimento interno.
Conselheiros presentes relataram que a sustentação da defesa foi breve. Após a manifestação, Mário Gobbi voltou a pedir que houvesse opção de suspensão além da expulsão, mas o plenário manteve apenas a votação sobre o desligamento do quadro associativo.
A votação ocorreu de forma aberta e nominal e integrantes do Conselho acreditam que o modelo influenciou diretamente no resultado final.
Conselheiros ouvidos pela reportagem relataram que alguns membros que poderiam votar contra a expulsão caso o rito ocorresse de forma secreta optaram por apoiar o parecer da Comissão de Ética diante da exposição pública dos votos. As seis abstenções também foram vistas internamente como reflexo do modelo adotado.
CLIMA FORA DO PARQUE SÃO JORGE
Do lado de fora do Parque São Jorge, o clima também mudou ao longo da noite. Conforme relatos obtidos pelo UOL, havia preocupação entre os torcedores sobre a possibilidade de reversão do cenário até a definição oficial do formato da votação.
A confirmação de que a votação seria apenas "sim" ou "não" para a expulsão diminuiu a tensão entre os presentes. A abertura da votação dos conselheiros vitalícios ainda gerou apreensão, mas o ambiente mudou após o avanço da diferença favorável à exclusão de Andrés entre os conselheiros trienais.
Depois da divulgação do resultado, torcedores comemoraram nos arredores da sede social do Corinthians. Houve fogos de artifício, sinalizadores e jatos de espuma usados por presentes para simbolizar o que chamaram de "limpeza" do clube.