Fonseca é o sétimo brasileiro da história a avançar às quartas em Roland Garros
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois dias depois de eliminar o maior vencedor de Grand Slams da história, João Fonseca voltou à quadra principal de Roland Garros na tarde deste domingo (31) cercado de expectativas. Fez um jogo firme contra o norueguês Casper Ruud, 27, vencendo por 3 sets a 1 (7/5, 7/6, 5/7 e 6/), para avançar às quartas de final do Aberto da França, tornando-se o sétimo brasileiro da história a chegar a esta fase do torneio.
É a primeira vez desde 2004 que um brasileiro vai tão longe na chave individual masculina do torneio. O último foi Guga Kuerten, que assistiu à vitória do carioca bem de perto, das arquibancadas da quadra Philippe-Chatrier.
Pela chave feminina, Bia Haddad Maia foi até a semifinal em 2023, em outro feito histórico para o Brasil. Os demais quatro tenistas do país que jogaram quartas em Paris foram Carlos Lelé Fernandes e Maria Esther Bueno na era amadora e Thomaz Koch e Fernando Meligeni na era aberta --período compreendido a partir de 1968.
Em 2004, Guga era o 30º do ranking (atual posição ocupada por Fonseca), chegou a eliminar o então número um, o suíço Roger Federer, mas parou no argentino David Naldandian nas quartas. O auge do catarinense acontecera anos antes: foi campeão em Paris três vezes, em 1997, 2000 e 2001, ano em que ocupava o posto de melhor do mundo.
Aos 19 anos, João Fonseca vive o melhor momento da carreira até aqui após ter derrotado Novak Djokovic de virada na sexta-feira (29), em partida de cinco sets que durou quase cinco horas. O sérvio de 39 anos buscava seu 25º título de Grand Slam, como são chamados os principais torneios do circuito profissional de tênis, mas acabou eliminado após uma recuperação incrível do brasileiro, que venceu três sets seguidos.
"Tentei bater na bola o mais rápido que pude. O Djokovic não erra", disse Fonseca após o final da partida. "Foi uma honra estar na mesma quadra que ele pela primeira vez."
Essa foi a segunda vitória de Fonseca contra um tenista do Top 10. A primeira foi contra o russo Andrey Rublev, então o nono do ranking, no Australian Open do ano passado.
Considerado por muitos o maior tenista da história -se não o maior, um dos três mais históricos--, Djokovic segue jogando em alto nível apesar da diferença de idade em relação aos atletas que têm dominado o circuito. Aos 39 anos, ele é o quarto do ranking.
"Partida difícil para mim, por perder estando 2 sets a 0 na frente. Mas créditos para o João por realmente merecer vencer a partida", disse o sérvio em entrevista depois da eliminação. "Não acho que errei muito no meu jogo. Ele simplesmente foi melhor."
O adversário de Fonseca neste domingo era um especialista do tradicional solo vermelho das quadras de Roland Garros. Atual 16º do ranking, Casper Ruud chegou a duas finais em Paris: em 2022, ano em que chegou a ser segundo do mundo, foi derrotado pelo próprio rei do saibro, o espanhol Rafael Nadal, e em 2023 perdeu justamente para Djokovic.
Além da partida histórica contra Djokovic, a campanha de Fonseca em Roland Garros teve antes vitórias sobre o francês Luka Pavlovic (241º do ranking), por 3 sets a 0, e sobre o croata Dino Prizmic (72º), por 3 a 2, também de virada.
Casper Ruud havia passado pelo russo Roman Safiullin (141º), pelo placar de 3 a 2, pelo sérvio Hamad Medjedovic (58º), 3 a 0, e pelo americano Tommy Paul (21º), 3 a 2, para se classificar às oitavas..
O tcheco Jakub Mensik (27º), que derrotou por 3 a 2 o russo Andrey Rublev (13º), será o adversário de Fonseca nas quartas. O jogo está previsto para terça-feira, em horário a ser definido.