Ídolo do Palmeiras, Leivinha amargou seu maior pesadelo no futebol espanhol

Por Folhapress

(UOL/FOLHAPRESS) - Meia-atacante de talento raro, Leivinha é eternamente lembrado pelos títulos e gols com a camisa do Palmeiras. No entanto, a trajetória do ídolo - que morreu nesta quinta-feira (4) aos 76 anos - ganhou contornos dramáticos quando ele se transferiu para o Atlético de Madri. Na Espanha, o craque experimentou o pior momento de sua carreira.

PESADELO DAS LESÕES

Depois de marcar 18 gols em 31 jogos na temporada 1975/76, Leivinha viu seu desempenho cair drasticamente na capital espanhola a partir de 1977. Seu destino mudou após um confronto contra o Celta de Vigo. Vítima de uma entrada violenta do jogador Manolo, ele sofreu uma grave lesão no joelho esquerdo. Em uma época em que a medicina esportiva ainda buscava métodos mais avançados, o próprio meia-atacante admitiu, anos mais tarde, que nunca conseguiu recuperar o antigo futebol.

As lesões também o assombraram na seleção brasileira. Na Copa do Mundo de 1974, após começar como titular, ele se machucou ainda na primeira fase, contra o Zaire, e acabou não sendo utilizado no restante do torneio pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo. Eliminado pela Holanda na semifinal, o Brasil terminou o Mundial na quarta colocação.

ESTREIA DOS SONHOS

Ao lado do zagueiro Luís Pereira, outro grande ídolo palmeirense, Leivinha fez história na capital espanhola antes de amargar a grave lesão. Sua estreia foi avassaladora em 1975: um hat-trick diante do Salamanca. Ao todo, foram 43 gols em 93 partidas pelos Colchoneros -é o segundo artilheiro na história entre os brasileiros que atuaram no clube, atrás de Baltazar.

As pedaladas de Leivinha foram a marca registrada em território espanhol e levavam os torcedores ao delírio. Mesmo não jogando tanto quanto gostaria, ele foi peça importante na conquista do Campeonato Espanhol da temporada 1976/77, sob o comando do técnico Luis Aragonés, anotando oito gols na campanha do título.

VOLTA AO BRASIL E FIM DA CARREIRA

Sem conseguir retomar o auge físico, Leivinha deixou o Atlético de Madri em 1979 e tentou um retorno ao Brasil pelo São Paulo. Foram apenas 11 jogos e dois gols marcados antes de uma aposentadoria precoce, aos 29 anos.

Apesar do fim doloroso, a idolatria na Espanha permaneceu intacta. Ao tomar conhecimento da morte do ex-jogador, o Atlético de Madri fez questão de prestar uma última e honrosa homenagem em seus canais oficiais, destacando: "A família do Atlético de Madri está de luto pela morte de Leivinha".