Lesões e sustos marcam preparação das potências para a Copa

Por MARCELO BELPIEDE

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os favoritos da Copa do Mundo de 2026 não entram em campo hoje no primeiro dia de jogos, mas já encerraram seus últimos testes em campo. Longe de um cenário ideal, o período preparatório dos grandes rivais do Brasil foi marcado por uma intensa corrida contra o tempo, alternando entre desempenhos oscilantes, sustos extracampo e, acima de tudo, uma dolorosa onda de lesões que obrigou os treinadores a quebrarem a cabeça. Enquanto algumas seleções mostraram força coletiva para superar os desfalques, outras chegam ao Mundial com o alerta ligado.

Confira o balanço da preparação das principais potências da Copa 2026:

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ARGENTINA

A atual campeã mundial garantiu duas vitórias em seus últimos testes, batendo Honduras por 2 a 0 e, na sequência, a Islândia por 3 a 0. A grande notícia foi o retorno de Lionel Messi contra os islandeses: o astro atuou por pouco mais de 20 minutos, o suficiente para inflamar a torcida.

No entanto, o técnico Lionel Scaloni enfrentou sérios problemas com lesões durante a preparação, sendo obrigado a realizar um controle rigoroso com seus atletas. A forma física de Nahuel Molina, Gonzalo Montiel e Leandro Paredes continua preocupando a comissão técnica, enquanto o zagueiro Leonardo Balerdi sofreu uma lesão e foi cortado.

FRANÇA

A preparação francesa foi marcada por oscilações, resultando em uma vitória e uma derrota. Ainda sem contar com suas principais estrelas em plenitude, os Bleus foram surpreendidos pela Costa do Marfim e perderam por 2 a 1.

A recuperação veio logo em seguida, com um triunfo por 3 a 1 sobre a Irlanda do Norte, impulsionado por um hat-trick de Michael Olise, o grande nome francês nesses amistosos.

Em contrapartida, o astro Kylian Mbappé chega ao torneio sob desconfiança, reflexo de uma reta final de temporada europeia instável.

ESPANHA

Apontada como uma das principais favoritas ao título, a Espanha também foi duramente castigada por problemas físicos em seus dois amistosos.

A Fúria não passou de um empate por 1 a 1 com o Iraque, mas conseguiu se reabilitar ao vencer o Peru por 3 a 1. Pilares do ataque espanhol, Lamine Yamal e Nico Williams foram preservados e não entraram em campo, assim como Victor Muñoz.

O trio é aguardado com ansiedade para a estreia contra Cabo Verde. "Todos os três estão dentro do prazo previsto para chegarem em excelentes condições no dia 15 de junho", tranquilizou o técnico Luis de la Fuente.

INGLATERRA

Para os ingleses, os dias que antecederam a Copa pareceram o roteiro de um filme de suspense, repletos de sustos e preocupações extracampo. Durante a preparação na Flórida, a delegação enfrentou um terremoto - considerado o pior na região em 150 anos. Para completar, o time precisou lidar com alertas de segurança no Kansas, após o registro de dois tiroteios nos arredores de onde será o seu local de treinos.

Dentro das quatro linhas, contudo, a Inglaterra cumpriu o protocolo, vencendo a Nova Zelândia por 1 a 0 e a Costa Rica por 3 a 0.

ALEMANHA

A Alemanha encerrou o ciclo de amistosos com 100% de aproveitamento. Ainda em solo europeu, a equipe aplicou uma goleada por 4 a 0 sobre a Finlândia e, na sequência, derrotou os Estados Unidos por 2 a 1.

Apesar dos resultados positivos, o técnico Julian Nagelsmann sofreu um duro golpe com o corte por lesão do atacante Lennart Karl. Além disso, o treinador precisa administrar a situação do goleiro Manuel Neuer, que se apresentou lesionado e ficou de fora dos testes.

Para completar o cenário de pressão, o elenco ainda convive com o dúvida de seus próprios torcedores.

PORTUGAL

A seleção portuguesa carimbou duas vitórias em seus dois compromissos, mas o verdadeiro desafio foi controlar os nervos. No triunfo por 2 a 1 sobre o Chile, o atacante Rafael Leão perdeu o controle emocional e acabou expulso após um forte desentendimento com Iván Román, zagueiro do Atlético-MG.

No jogo seguinte, nova vitória por 2 a 1, desta vez contra a Nigéria, em uma noite frustrante para Cristiano Ronaldo, que desperdiçou uma sequência incomum de oportunidades claras de gol.

HOLANDA

Famosa historicamente por seu futebol ofensivo, a Holanda decepcionou em suas exibições pré-Copa. Foram duas partidas burocráticas, nas quais o ataque esteve longe do rendimento esperado pela comissão técnica.

No primeiro teste, a Laranja foi derrotada pela Argélia por 1 a 0. A reabilitação veio diante do Uzbequistão, com uma vitória por 2 a 1, mas o desempenho foi questionável: os dois gols holandeses nasceram de cobranças de pênalti. Sem poder contar com o corintiano Memphis Depay em sua forma física ideal, o técnico Ronald Koeman viu Donyell Malen, o outro centroavante do grupo, não dar conta do recado.