Scaloni critica pausas para hidratação na Copa
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O técnico Lionel Scaloni, da Argentina, se tornou mais um a criticar as pausas para hidratação no metade de cada tempo durante os jogos da Copa do Mundo.
Scaloni acredita que as interrupções frequentes e o calor intenso ajudam a equipe "teoricamente mais fraca". Para o treinador, a divisão do jogo deixa a partida picotada e prejudica o ritmo em campo.
O calor e o fato de o jogo ser constantemente interrompido fazem isso ajudar o time teoricamente mais fraco. Acho que, no fim, foi feito para ter mais tempo e acaba sendo um pouco picotado. Esse negócio de quatro tempos parece irreal. Tudo na minha cabeça pode mudar com base no que acontece nesses 22 minutos.Scaloni, em entrevista coletiva
Apesar de estranhar a mudança, Scaloni avalia que o formato dá tempo para corrigir táticas de ataque. O treinador destacou que a comissão técnica se divide entre a arquibancada e o banco de reservas para analisar o jogo.
"Temos pessoas analisando o jogo das arquibancadas e nós no banco. O que é feito no intervalo, é feito lá. Acho que para quem pretende atacar, você tem tempo para corrigir, mas é estranho se adaptar a isso, embora se você continuar imagino que em pouco tempo será algo normal. nesta segunda-feira (22) isso não é normal", disse Scaloni.
O treinador argentino se junta a outros dois compatriotas que já criticaram as pausas. Marcelo Bielsa e Maurício Pochettino, técnicos argentinos de Uruguai e Estados Unidos, respectivamente, já fizeram comentários sobre o assunto.
"Vi que houve muitíssimos gols. Que não foi com esse objetivo, segundo opinião generalizada, joga-se quatro tempos e altera culturalmente o que tinha se construído para o futebol. Não agrega nada, e o tira muito. Quando se dividiu em quatro, não se pensou no efeito que pode ter no esporte que as pessoas se enamoram. Antes, o futebol tinha uma característica. E agora tem outra. Há grandes acertos, influência do VAR não fez nada mais do que melhorar. Isso tem que aplaudir e valorizar", afirma Marcelo Bielsa.
"A pausa para hidratação pode ser importante se pudermos fazer isso. [...] Mas eu não gosto. Mas eu uso para tentar ajudar meus jogadores. Eu entendo, está muito quente, a saúde dos jogadores deve estar em primeiro lugar, mas eles estão prontos para jogar 45 minutos. Se adicionarmos muitas regras e o futebol como conhecemos vai deixar de existir", disse Pochettino.
A pausa obrigatória tem causado insatisfação também na torcida. Em alguns jogos, foi alvo de vaias das arquibancadas.
Apesar do interesse comercial (o "hydration break" cria duas janelas adicionais para anúncios publicitários em cada partida), a Fifa justificou que a medida é para melhorar o nível do jogo. A entidade máxima do futebol diz que a medida é necessária diante das altas temperaturas no Canadá, Estados Unidos e México neste período do ano.
A Argentina entra em campo nesta segunda-feira (22). Às 14h (de Brasília), os comandados de Lionel Scaloni encaram a Áustria e precisam apenas de uma vitória para garantirem a classificação antecipada para o mata-mata.