Brasil e Escócia duelam em arena camaleônica de Miami, palco de F1, tênis e NFL

Por LUCIANO TRINDADE

MIAMI, None (FOLHAPRESS) - Quando a bandeira quadriculada do GP de Miami foi agitada para Kimi Antonelli, 19, na tarde de 3 de maio, a vitória do italiano marcou o fim de um projeto que exigiu três meses e meio de reformas e adaptações no Hard Rock Stadium para receber a quinta etapa do Mundial de F1 em 2026.

Ao mesmo tempo, o encerramento da prova abriu imediatamente a contagem regressiva para a montagem das estruturas do próximo grande evento no estádio, a Copa do Mundo.

O prazo era mais curto ?cerca de um mês e duas semanas. Mesmo assim, tudo ficou pronto a tempo de 62.764 pessoas presenciarem o empate por 1 a 1 entre Arábia Saudita e Uruguai, pelo Grupo H.

Miami será, ao todo, palco de sete partidas no Mundial. A terceira delas acontece nesta quarta-feira (24), quando Brasil e Escócia duelam pela última rodada da fase de grupos, às 19h (horário de Brasília).

O ciclo de transformações no estádio se repete ao longo de todos os anos, principalmente após a reforma para modernização pela qual a arena passou de 2015 a 2017, ao custo de US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões).

Inaugurado em 1987, o local teve todos os assentos trocados, com a revitalização dos camarotes e a colocação de novos monitores.

Mais importante ainda foi a instalação de uma cobertura na estrutura existente do estádio, projetada para fornecer sombra e proteção contra furacões de categoria 4 ?penúltimo nível com maior capacidade de destruição?, e tempestades tropicais comuns em Miami durante os meses de verão.

Como um dos polos esportivos mais modernos dos Estados Unidos, o Hard Rock Stadium passou a ser o centro dos maiores eventos esportivos de Miami.

Localizado em Miami Gardens, no condado de Miami-Dade, na Flórida, o estádio ?anteriormente conhecido como Joe Robbie Stadium, Pro Player Stadium, Dolphins Stadium, Land Shark Stadium, Sun Life Stadium e New Miami Stadium? é a casa do Miami Dolphins, da NFL (futebol americano).

O local recebeu seis edições do Super Bowl, a decisão na liga. Também já foi a casa do Miami Marlins, da MLB (beisebol), de 1993 a 2011, e ao longo das últimas décadas se consolidou como um dos estádios mais versáteis dos Estados Unidos.

Nos últimos anos, passou a operar como um verdadeiro polo multiuso.

O complexo recebe o Miami Open, um dos principais torneios de tênis do circuito mundial, com quadras e estruturas temporárias montadas ao redor e dentro do estádio, além de toda uma operação paralela de hospitalidade e transmissão.

A partir de 2023, o espaço também passou a receber a área de paddock e a F1 Village do GP de Miami de F1, montados em estruturas temporárias sobre e ao redor do estádio.

Essa capacidade de adaptação distingue o estádio de outras sedes da Copa de 2026, como o MetLife Stadium, em East Rutherford (Nova Jersey), e o SoFi Stadium, em Inglewood (Califórnia). Embora ambos sejam maiores ou mais modernos, operam principalmente como arenas permanentes para megaeventos.

Já o Hard Rock se notabilizou por funcionar como um campus esportivo multifuncional, capaz de alternar, em poucas semanas, entre torneios de tênis, corridas de F1, jogos da NFL e competições internacionais de futebol.

A diferença ficou evidente na preparação para a Copa do Mundo.

Enquanto o MetLife receberá a final do torneio e o SoFi se destaca pela estrutura tecnológica construída a um custo bilionário, o estádio de Miami precisou desmontar o paddock e as áreas de hospitalidade da F1 para dar lugar ao gramado e às exigências operacionais da Fifa, reforçando uma vocação baseada menos no tamanho ou na tecnologia e mais na capacidade de transformação.

O complexo foi uma das sedes da Copa América de 2024, sendo palco da final na qual a Argentina superou a Colômbia na decisão, e também uma das sedes da Copa do Mundo de Clubes de 2025.

Em 2026, o estádio tem um papel ainda mais central, como sede de jogos da Copa do Mundo se seleções, consolidando sua posição como um dos principais palcos do futebol global fora da Europa.