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Efeito Lula

Fausto Matto Grosso - Março 2021
 


A liberação de Lula para a disputa eleitoral de 2022 provocou um verdadeiro terremoto na política eleitoral. Segundo muitos analistas, era o que Bolsonaro queria. Entretanto, o desgaste sofrido pelo presidente nos últimos tempos, com a crise sanitária, a crise econômica, os atentados à democracia, fez com que o candidato do PT saísse por cima. Se a eleição fosse hoje, Lula seria eleito presidente.  

Nesse sentido, a única saída para Bolsonaro se manter no poder é a quebra da legalidade constitucional com um autogolpe. As falanges de bolsonaristas de camisa cáqui já estão sendo armadas para isso. Também as tentativas de controlar as polícias militares e as medidas de facilitação de acesso às armas são bons indícios dessa intenção. Será um grande desafio para as instituições democráticas reagir a essa sanha ditatorial.

Segundo recente pesquisa do Poder360, se a eleição fosse hoje, ainda seria polarizada no primeiro turno entre Lula com 34% e Bolsonaro com 30%. Todas as outras candidaturas estariam de 6% para baixo. A novidade é que, além de Lula, Huck e Ciro também venceriam Bolsonaro no 2º turno. Outros candidatos, como Moro, Huck, Doria, Amoêdo e Mandetta dificilmente passariam para o 2º turno hoje. Entretanto, o Presidente está com forte viés de queda e ainda administra muito mal a crise brasileira, o que deixa o quadro eleitoral aberto e indefinido. Não é desprezível a hipótese de que Bolsonaro possa até ficar fora do segundo turno.

O Brasil, depois da primeira eleição presidencial, indireta, em 1974, quando disputaram Geisel e Ulysses Guimarães, passou a viver de polarizações na política. Inicialmente era MDB/PMDB contra Arena/PDS. Em 1989, com a nova Constituição parecia que o pluralismo tinha se implantado; naquela eleição disputaram 13 candidatos com as mais variadas opções político-ideológicas. No segundo turno venceu Collor, mas eleitoralmente surgiu o PT na disputa eleitoral como um partido forte.

Após o governo Itamar, implantou-se a polarização PSDB-PT, que durou dois mandatos de Fernando Henrique, dois mandatos de Lula e quase dois de Dilma. Nas eleições de 2018 surgiu Bolsonaro, que começou a polarizar com o PT e que pretende manter essa disputa. Grande parte dos analistas políticos aponta que Bolsonaro e PT são os sonhos de consumo um do outro para a próxima disputa, com a sociedade, ainda fortemente polarizada, participando da eleição para rejeitar o outro.

As recentes pesquisas sobre 2022 abrem uma nova perspectiva, a da despolarização e o surgimento do espaço arejado do “nem um nem outro”. Talvez possamos fazer o voto sem medo, a favor e não contra.

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Engenheiro e professor aposentado da UFMS

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Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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