Carnaval e maquiagem infantil: Cuidados para evitar alergias e proteger a pele das crianças

Especialista alerta que pele infantil é mais sensível e recomenda uso pontual, com produtos específicos e atenção aos sinais de reação.

Por Redação

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O uso de maquiagem por crianças, comum em datas comemorativas e momentos de brincadeira, pode representar riscos à saúde da pele infantil se não houver cuidados adequados. Mais sensível e com mecanismos de proteção ainda em desenvolvimento, a pele das crianças reage de forma diferente à de adultos, o que aumenta a chance de irritações e alergias.

De acordo com a biomédica e mestre em Ciências Farmacêuticas Alda Catarina Miranda, a estrutura da pele infantil favorece a absorção de substâncias químicas presentes nos cosméticos.

“A pele da criança é mais fina, tem a barreira protetora ainda imatura e enzimas de defesa que funcionam de forma diferente das do adulto. Isso faz com que qualquer substância aplicada tenha maior facilidade de penetrar e causar reações, mesmo em pequenas quantidades”, explicou.

Além disso, o hábito de levar as mãos ao rosto com frequência aumenta o risco de contato do produto com olhos e boca, potencializando irritações.

Riscos do uso precoce

Entre os principais problemas associados ao uso precoce de maquiagem estão irritações, dermatites de contato, caracterizadas por vermelhidão, coceira e descamação, e infecções secundárias, especialmente quando produtos e pincéis são compartilhados.

Segundo a especialista, alguns cosméticos contêm substâncias com potencial alergênico, como fragrâncias, conservantes e corantes sintéticos.

“Ingredientes como parabenos, ftalatos e até metais pesados, às vezes presentes em produtos de baixa qualidade ou sem registro, podem provocar reações alérgicas e vêm sendo estudados por possíveis impactos no sistema hormonal e imunológico”, alertou.

Uso pontual e orientações

Alda Catarina destaca que o uso eventual de maquiagem, em situações específicas como festas ou apresentações escolares, pode ser feito com segurança, desde que algumas recomendações sejam seguidas.

“O ideal é optar por produtos próprios para crianças, à base de água, sem fragrância e com poucos ingredientes. Antes da aplicação, é importante fazer um teste de contato no antebraço ou atrás da orelha e observar por 24 a 48 horas. Se não houver reação, o uso pode ser liberado”, orientou.

Ela reforça ainda que a maquiagem deve ser completamente removida no mesmo dia, com água e sabonete neutro.

Apesar dos cuidados, o uso frequente ou inadequado pode provocar sensibilização do sistema imunológico da criança.

“O organismo passa a reconhecer determinadas substâncias como agressoras, desencadeando respostas alérgicas cada vez mais intensas. Embora a maquiagem não enfraqueça diretamente o sistema imunológico, esse processo de sensibilização pode se tornar permanente”, explicou.

Sinais de alerta

Vermelhidão persistente, coceira, inchaço, descamação da pele e lacrimejamento são sinais de que a criança pode estar desenvolvendo uma reação alérgica. Nesses casos, o uso do produto deve ser interrompido imediatamente e um pediatra ou dermatologista deve ser consultado. Situações com dor, pus ou inchaço mais intenso exigem avaliação médica urgente.

A especialista alerta que mesmo produtos rotulados como “infantis” exigem atenção.

“É fundamental verificar se o cosmético tem registro em órgão regulador, validade e lista completa de ingredientes. Termos como ‘hipoalergênico’, ‘sem fragrância’ e ‘sem parabenos’ reduzem o risco, mas não eliminam totalmente a possibilidade de reação”, destacou.

Brincadeira, não rotina

Para Alda Catarina, a maquiagem deve fazer parte do universo infantil apenas como uma atividade pontual e lúdica.

“Ela pode ser usada em momentos especiais, desde que com produtos adequados, aplicação consciente e remoção correta. Cuidar da pele desde cedo é uma forma de proteção e de preservar a saúde da criança”, concluiu.