SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O secretário-geral da ONU, António Guterres, colocou a crítica à invasão russa da Ucrânia no centro de seu discurso na abertura da sessão da Assembleia-Geral da entidade.

Usou o acordo para exportação de grãos da Ucrânia durante a guerra, mediado pela organização com ajuda turca, como exemplo de sucesso na crise. É fato, mas escamoteia as críticas à ineficácia da ONU como fórum para justamente evitar eventos como a invasão russa do vizinho, ou a americana do Iraque em 2003, por exemplo.

Tal questão segue em aberto. "Diferenças geopolíticas estão minando o Conselho de Segurança. Não podemos continuar assim", afirmou, citando o órgão mais importante da ONU, onde Rússia e China se aliam contra EUA, Reino Unido e França, os outros membros permanentes do arranjo político que estruturou a ONU na esteira da Segunda Guerra Mundial.

No mais, generalidades sobre guerra cibernética, pedido de ajuda aos mais pobres e a preocupação perene com a crise climática. "Temos um encontro com o desastre climático. Nosso mundo é viciado em combustíveis fósseis", afirmou, lembrando das enchentes bíblicas que atingiram um terço do Paquistão e comparando a desinformação sobre o tema pela indústria de hidrocarbonetos com o que ocorreu com fabricantes de cigarro décadas atrás.