Illinois e Minnesota processam governo Trump por uso de forças federais em seus territórios
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O estado de Illinois, nos Estados Unidos, processou a gestão do presidente Donald Trump nesta segunda-feira (12) pelo uso que o governo federal faz de agentes fortemente armados em operações anti-imigração. O governador democrata JB Pritzker afirmou que a ação judicial foi movida devido ao "uso perigoso da força" pelo Departamento de Segurança Interna.
"Embora os acusados descrevam esse ataque como 'fiscalização da imigração', a realidade é que agentes uniformizados e com treinamento militar, portando armas semiautomáticas e armamento de nível militar, têm atuado indiscriminadamente por meses em Chicago e arredores, parando, interrogando e prendendo moradores ilegalmente", diz a ação.
O processo, apresentado no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Norte de Illinois, acusa o governo Trump de "causar tumulto e impor um clima de medo" no estado, cuja maior cidade é Chicago, alvo de batidas contra imigrantes do governo Trump.
Agentes federais do ICE durante operação em Minneapolis, no estado de Minnesota Tim Evans Reuters Múltiplos agentes armados em uniformes táticos camuflados realizam operação em área residencial com casas ao fundo. Nessa mesma linha, o estado de Minnesota processou nesta segunda a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, e vários funcionários da imigração americana. A ação busca impedir o aumento da fiscalização imigratória no estado após a morte de Renee Nicole Good por um agente federal na semana passada.
O processo, apresentado no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Minnesota, pede que o tribunal declare o aumento da fiscalização inconstitucional e ilegal e que impeça o governo federal de prender cidadãos americanos e portadores de visto sem suspeita de que tenham cometido um crime.
O estado também busca a proibição de agentes federais ameaçarem usar força física ou exibirem armas contra pessoas que não estejam sujeitas a prisão por questões de imigração, além de outras restrições à atuação das tropas.
No último dia de 2025, Trump anunciou a retirada da Guarda Nacional de Chicago, Los Angeles e Portland, mas acrescentou que as forças federais voltariam "quando a criminalidade começar a disparar novamente".
Segundo ele, a decisão se deu "apesar do fato de que a criminalidade foi bastante reduzida graças à presença desses grandes patriotas nessas cidades, e SOMENTE por esse fato". Trump já havia usado o suposto aumento no número de crimes como justificativa para os envios, mas não apresentou dados que comprovassem o alto patamar ou, com a retirada, a queda relatada.
Durante 2025, Trump enviou agentes da Guarda Nacional para cidades governadas por democratas em um movimento que críticos avaliam como uma tentativa de punir adversários e reprimir dissidência. Ao ameaçar uma volta "talvez de uma forma muito diferente e mais forte", o presidente a defendeu como "apenas uma questão de tempo".
Em Minnesota, a morte de Renee Good durante uma operação de fiscalização inflamou o debate sobre as políticas anti-imigração de Trump, que classificou o episódio de "legítima defesa" por parte do agente.
Dezenas de milhares de pessoas marcharam por Minneapolis durante o final de semana para protestar contra o ICE, o serviço de imigração do país. Mais de mil manifestações foram convocadas em todo o país contra a campanha de deportação do governo Trump.
