Procurador pede pena de morte para ex-presidente da Coreia do Sul que tentou golpe

Por Folhapress

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O promotor especial da Coreia do Sul solicitou nesta terça-feira (13) a pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk Yeol, acusado de insurreição por sua breve imposição de lei marcial em dezembro de 2024.

Yoon é acusado de ser o mentor de uma insurreição. O crime tem uma punição severa na lei sul-coreana, podendo chegar à pena de morte se ele for considerado culpado, embora a Coreia do Sul não tenha executado uma sentença de morte há décadas.

Nos argumentos finais no Tribunal Distrital Central de Seul, um promotor afirmou que investigadores confirmaram a existência de um esquema supostamente dirigido por Yoon e seu ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, datando de outubro de 2023 e projetado para manter Yoon no poder.

Yoon, 65, nega as acusações. Ele argumenta que estava dentro de seus poderes como presidente declarar lei marcial e que a ação visava soar o alarme sobre a obstrução do governo pelos partidos de oposição.

O Tribunal Distrital Central de Seul deve decidir sobre o caso em fevereiro.

Em 3 de dezembro de 2024, em um anúncio televisionado no fim daquela noite, Yoon decretou a medida excepcional. Atividades políticas e liberdades civis foram banidas, e militares tomaram as ruas de Seul e invadiram a Assembleia Nacional. Protestos contra a medida começaram quase imediatamente.

."Eu declaro lei marcial para proteger a livre República da Coreia da ameaça das forças comunistas da Coreia do Norte, para erradicar as desprezíveis forças antiestatais pró-Coreia do Norte que estão pilhando a liberdade e a felicidade do nosso povo, e para proteger a ordem constitucional", disse Yoon na ocasião.

Aliados de Yoon, como o líder de seu partido, Han Dong-hoon, criticaram a ação, dizendo inclusive que a lei marcial não deveria ser respeitada porque era uma decisão "errada".

Em poucas horas, o decreto foi derrubado por uma votação unânime na Assembleia Nacional. O movimento ficou conhecido como um arroubo autoritário de um governo que, sem apoio parlamentar, quis manter-se no poder com medidas consideradas antidemocráticas. Depois, Yoon sofreu impeachment.

Atualmente, após a declaração e a queda da lei marcial, assim como a prisão de Yoon, a Coreia do Sul também é palco de manifestações que pedem a liberdade de Yoon, a saída do presidente em exercício, Lee Jae-myung, e o fim da suposta influência comunista no país.

Esta foi a primeira imposição de lei marcial no país asiático desde 1979 e 1980, em meio a um dos vários golpes da história sul-coreana.