Primeira-ministra do Japão planeja dissolver Parlamento e convocar eleições antecipadas, diz secretário
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, planeja dissolver o Parlamento do país na semana que vem e convocar eleições legislativas antecipadas, afirmou nesta quarta-feira (14) Shunichi Suzuki, o secretário-geral de seu partido. A estratégia busca obter respaldo popular para um plano de gastos públicos considerado ambicioso e que tem causado apreensão nos mercados financeiros.
De acordo com dois parlamentares da base governista, que falaram com a agência de notícias Reuters sob condição de anonimato, Takaichi avalia realizar o pleito em 8 de fevereiro. "Precisamos buscar um novo mandato", disse Suzuki, secretário-geral do Partido Liberal Democrata (PLD), após se reunir com a primeira-ministra. Segundo ele, Takaichi vai detalhar seus planos na próxima segunda (19).
Primeira mulher a chefiar o governo japonês, Takaichi pretende capitalizar o aumento de sua popularidade desde que assumiu o cargo em outubro, de acordo com analistas, apesar de seu envolvimento em uma crise diplomática com a China, vizinha e principal parceira comercial do país.
Suzuki afirmou que a eleição permitirá aos eleitores avaliar a nova coalizão formada pelo PLD com o partido de direita Japão Inovador. A aliança foi selada no ano passado, após o rompimento com o Komeito, parceiro histórico do PLD, de perfil mais moderado. "A última eleição ocorreu sob o governo PLD-Komeito. A população ainda não se pronunciou sobre a mudança de parceiro de coalizão", disse ele.
A votação servirá ainda como termômetro para os planos de Takaichi de ampliar os gastos públicos com o objetivo de estimular o crescimento econômico e aumentar o orçamento de defesa, parte de uma estratégia nacional de segurança revisada.
O calendário eleitoral também coincide com o momento mais tenso das relações entre Japão e China em mais de uma década. No ano passado, Takaichi afirmou que um eventual ataque chinês a Taiwan poderia representar uma ameaça existencial a Tóquio.
Pequim exigiu uma retratação, o que não ocorreu, e reagiu emitindo alertas para que cidadãos chineses evitassem viagens ao Japão. Também impôs restrições à exportação de produtos japoneses.
Para analistas, o desempenho da primeira-ministra na economia seria decisivo em um novo pleito. "A eleição provavelmente seria vencida ou perdida com base na condução da política econômica", afirmou Jeremy Chan, analista sênior para o Nordeste Asiático da consultoria Eurasia Group.
Segundo ele, uma vitória expressiva também teria um efeito externo. "Isso sinalizaria a Pequim que Takaichi veio para ficar e que as tentativas de coerção da China não conseguirão removê-la do poder."
O governo japonês enfrenta ainda o desafio de aprovar o Orçamento de 2026 antes do fim do ano fiscal, em março. Para contornar o impasse, Takaichi avalia a adoção de uma medida provisória de gastos, de acordo com o jornal local Yomiuri.
A possibilidade de eleições antecipadas, noticiada na semana passada, provocou queda do iene e dos títulos da dívida japonesa, refletindo o receio dos investidores sobre como o governo pretende financiar a expansão fiscal em uma das economias mais endividadas do mundo desenvolvido.
