Justiça do Irã anuncia julgamentos rápidos e televisionados de manifestantes presos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, anunciou nesta quarta-feira (14) que o regime teocrático pretende televisionar os julgamentos de manifestantes presos. A declaração ocorre em meio a uma violenta repressão, que já matou mais de 2.000 pessoas, e um temor de aplicação em massa da pena de morte.
Segundo entidades de direitos humanos, o país persa marcou para esta quarta a primeira execução relacionada à onda de protestos que se espalhou pelo país. Erfan Soltani, 26, foi detido na semana passada na cidade de Fardis, próxima à capital Teerã. De acordo com relatos, o processo avançou rapidamente, de maneira pouco transparente e sem que ele tivesse direito à defesa.
Ejei realizou uma visita a uma prisão de Teerã onde manifestantes, chamados de "rebeldes" pelas autoridades, estão detidos para revisão de seus casos. Após a agenda, ele prometeu julgamentos rápidos e públicos.
"Se alguém ateou fogo em uma pessoa, a decapitou antes de queimar seu corpo, devemos fazer nosso trabalho rapidamente", declarou.
A Anistia Internacional pediu ao Irã que "suspenda imediatamente todas as execuções", incluindo a de Soltani. Ainda não havia, até a publicação deste texto, atualizações oficiais sobre o caso.
Teerã, que aplica a pena máxima por meio do enforcamento, é o segundo país do mundo com mais execuções depois da China, de acordo com ONGs de direitos humanos.
Sob ameaça direta de um ataque dos Estados Unidos, o Irã prepara para uma ação militar e ameaça retaliação. O presidente Donald Trump cancelou negociações com Teerã, prometeu que "a ajuda está a caminho" e instou os iranianos a permanecerem na rua e "tomarem as instituiç.
Paralelamente, segundo relatos colhidos pela agência Reuters, os EUA determinaram a saída de parte do pessoal de sua principal base no Oriente Médio, Al-Udeid, no Qatar. Não há, contudo, nenhuma movimentação maciça de tropas.
Os protestos, que começaram como atos contra a crise econômica e se transmutaram na mais séria ameaça à teocracia desde sua instalação em 1979, aparentemente cederam em escopo devido à brutal repressão policial.
Análise do Instituto para Estudo da Guerra (EUA) mostra uma queda acentuada nas manifestações verificáveis a partir da noite da quinta-feira passada (8), quando começou o corte mais radical na internet e na telefonia móvel do país persa.
De 156 cidades afetadas em 27 das 31 províncias iranianas naquele dia, o número caiu para 7 e 6, respectivamente, na terça (13). A curva acompanha a intensificação da repressão policial no fim de semana, que já deixou 2.403 mortos, segundo a ONG baseada nos EUA Hrana.
A ausência de internet e celular dificulta a mobilização dos atos, que segundo ativistas são descentralizados e nunca tiveram lideranças claras. A oprganização aponta relatos de que a polícia agora está fazendo batidas para apreender antenas de Starlink, o sistema de internet por satélite usado para driblar o apagão.
Elas vinham sendo a porta de saída das imagens que as redes normais não conseguiam mais transmitir. E há sinais de que, se diminuíram em escopo, as manifestações seguem fortes.
Por outro lado, a ausência de internet e celular dificulta a mobilização dos atos, que segundo ativistas são descentralizados e nunca tiveram lideranças claras.
Vídeos publicados nas redes sociais e verificados pela AFP mostram dezenas de corpos em um necrotério no sul de Teerã. "A violência está aumentando, as prisões também. Os opressores estão atirando indiscriminadamente", disse Kian Tahsildari à AFP em Istambul na terça-feira, relatando o depoimento de amigos em Mashhad, no nordeste do Irã.
A mídia estatal iraniana transmite continuamente imagens da destruição e presta homenagens aos membros das forças de segurança mortos.A televisão estatal transmitiu nesta quarta-feira imagens de uma enorme manifestação em Teerã, em homenagem a mais de cem membros das forças de segurança que teriam sido mortos.
