EUA mobilizam dois porta-aviões para manter pressão sobre o Irã

Por IGOR GIELOW

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Pentágono mobilizou dois grupos de porta-aviões para manter a pressão sobre o Irã, apesar de o presidente Donald Trump ter baixado a expectativa de um ataque americano contra a teocracia devido à repressão aos protestos que chacoalham o país do Oriente Médio desde o fim de 2026.

Não há confirmações oficiais sobre as missões dos grupos centados no USS Abraham Lincoln e no USS George H. W. Bush, apenas relatos múltiplos de autoridades sob anonimato e imagens de satélite.

O que se sabe é que ambos deixaram suas áreas e rumam na direção de posições de ataque ao Irã. No caso do Lincoln, ele e sua escolta com três destróieres e um submarino de propulsão nuclear começaram a se mover a oeste do mar do Sul da China, onde operavam.

Imagens de satélite mostram o momento da manobra de virada rumo ao mar da Arábia do gigantesco navio de propulsão nuclear. Ele carrega mais de 5.000 tripulantes, incluindo os aviadores que operam o caça de quinta geração F-35 Lightning 2 em sua versão naval, a C, e o usual F/A-18 Super Hornet que é padrão deste tipo de embarcação americana.

Sua escolta carrega grande poder de fogo, incluindo mísseis de cruzeiro Tomahawk, a arma preferida para ataques como um presumido ao Irã. Ele pode chegar à área de ação em uma ou duas semanas.

Já o Bush estava em seu porto em Norfolk, na costa leste americana, e o deixou sem aviso prévio na terça-feira (13). Ao mesmo tempo, o USS Theodore Roosevelt deixou sua base em San Diego, para cobrir a falta do Lincoln no teatro do Pacífico.

O Bush está no Atlântico Norte neste momento. Ele usualmente opera no Mediterrâneo, e a porção leste daquele mar é a área de ataque para qualquer ação contra o Irã: um grupo de porta-aviões fica por lá e outro, ao sul do Golfo Pérsico.

Como não houve comunicado oficial, o Bush pode apenas ficar em treinamento no oceano, por ora. Se rumar direto à costa de Israel com sua escolta semelhante à do Lincoln, deve chegar em talvez duas semanas ou menos.

A movimentação pode ser apenas um reforço de precaução. Quando os sinais de que Trump atacaria começaram a se acumular, havia um problema para as Forças Armadas dos EUA: nenhum grupo de porta-aviões estava presente.

Eles não são essenciais para um ataque, claro, que pode ser feito com mísseis de longa distância ou penetração de bombardeiros furtivos B-2, como ocorreu na ação que destruiu instalações nucleares no Irã em 21 de junho passado.

Mas sua presença garante muito mais poder de fogo aproximado e proteção, por meio dos sistemas antimísseis dos destróieres da escolta e pelos caças embarcados, das cerca de 20 bases que os EUA têm no Oriente Médio.

Na imprensa americana, há também relatos de que haverá deslocamento de ativos de defesa aérea, caças e bombardeiros para bases na região.

Na quarta (14), auge da tensão, as bases começaram a evacuar o pessoal não-essencial, inclusive na principal instalação de Washington na região, Al-Udeid, no Qatar ?que foi alvo de uma retaliação cenográfica de Teerã ao ataque de junho, abrindo caminho a uma trégua com EUA e Israel.

Mas naquele dia Trump afirmou que havia sido informado por uma alta autoridade iraniana de que "a matança havia parado" no país, em referência à morte de mais de 3.500 manifestantes contrários ao regime islâmico no poder desde 1979. A repressão vinha sendo usada por ele como justificativa para agir.

Com toda essa mobilização, a dúvida que fica é se o americano apenas quer manter uma opção de ataque à mão ou se apenas empregou uma cortina de fumaça com sua frase mais comedida. Como o deslocamento dos navios é lento, Trump poderá manter a ambiguidade.

Pesa contra a ação a pressão de aliados regionais e até mesmo de Israel, que lutou uma guerra aérea de 12 dias com Teerã no ano passado e saiu vencedor, mas arranhado.

No caso do Estado judeu, o Washington Post relatou que o governo de Binyamin Netanyahu e o de Ali Khamenei se comunicaram por meio da Rússia, prometendo não atacar um ao outro se os EUA forem às vias de fato.

Para os rivais árabes do Irã, Arábia Saudita e Emirados à frente, a preocupação maior é com a disrupção do comércio mundial de energia: 20% do petróleo e 20% do gás liquefeito do planeta passam pelo estreito de Hormuz, controlado estrategicamente pelo Irã.