Dominique Pelicot, que submeteu esposa a dezenas de estupros na França, é alvo de nova investigação

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O francês Dominique Pelicot, condenado por orquestrar o estupro de sua então esposa Gisèle Pelicot, se tornou alvo de uma investigação mais ampla conduzida por uma unidade especializada em casos arquivados, a fim de identificar outros crimes, informaram promotores à agência AFP nesta sexta-feira (16).

A unidade iniciou uma nova investigação na segunda sobre "trajetórias criminais" para identificar outras possíveis vítimas de Pelicot, informou a promotoria de Nanterre, perto de Paris, confirmando informações da emissora RTL.

Dominique Pelicot foi condenado em 2024 a 20 anos de prisão por estupro qualificado, após recrutar dezenas de desconhecidos para estuprar sua então esposa depois de drogá-la em sua casa na cidade de Mazan, no sul do país, entre 2011 e 2020.

Sua ex-esposa, Gisèle Pelicot, foi aclamada publicamente por sua coragem durante o julgamento, no qual todos os 51 réus foram considerados culpados.

Desde então, Dominique foi interrogado em outros dois casos: um estupro seguido de assassinato em Paris, em 1991, e uma tentativa de estupro na região de Seine-et-Marne, em 1999. Ele negou envolvimento no caso de 1991, mas admitiu o segundo após ser identificado por meio de exame de DNA.

A advogada Florence Rault, que representa as vítimas no caso, disse que acolheu bem a ampliação da investigação. "Estou surpresa que não tenha sido feita antes", afirmou à AFP, visto que ele foi investigado pela primeira vez em 2022.

Em relação ao caso contra sua então esposa, um tribunal de Avignon, cidade no sul da França, condenou Dominique em dezembro de 2024, encerrando um processo iniciado em meados de 2020.

Naquele ano, o homem foi preso após ser flagrado filmando mulheres por baixo de suas saias em um shopping. Após a detenção, os investigadores descobriram cerca de 4.000 fotos e vídeos de Gisèle inconsciente enquanto era abusada por dezenas de homens.

No início do processo, a vítima pediu que o julgamento fosse público porque, segundo ela, "a vergonha tem que mudar de lado". Durante o julgamento, Gisèle afirmou: "Quando ouço essas mulheres [as esposas dos acusados] dizerem que seus maridos não são estupradores, eu pensava o mesmo. Quando decidi retirar o sigilo, queria que elas dissessem: 'Se a senhora Pelicot fez isso, nós também podemos'. Não quero mais que elas sintam vergonha. A vergonha não é nossa, é deles. Não expresso nem minha raiva nem meu ódio, mas uma determinação de mudar esta sociedade".

Dominique, 72, afirmou ter crescido em um ambiente familiar nocivo, na presença de um pai "autoritário e tirânico". Segundo sua advogada, ele sofreu uma série de traumas na infância antes de "cair na perversidade". De acordo com a defesa, o réu teria dupla personalidade.

Dominique recrutou outros 50 homens principalmente por meio de fóruns online. Em depoimento, ele afirmou que deixava claro aos desconhecidos que sua esposa não estava consciente e que eles não deveriam tentar acordá-la.

Alguns dos réus contestaram a versão e disseram ter sido enganados. Segundo eles, Dominique disse que Gisèle apenas estaria dormindo e consentia com as atitudes do então marido.