Governo Lula prepara avaliação sobre entrada no Conselho de Paz para Gaza

Por NATHALIA GARCIA E JOÃO GABRIEL

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Auxiliares do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preparam avaliações sobre a entrada do Brasil no Conselho da Paz para a Faixa de Gaza. O presidente brasileiro foi um dos líderes mundiais convidados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para compor o novo órgão internacional.

Segundo relato feito à reportagem, a carta que esboça o estatuto do Conselho da Paz prevê que cada Estado-membro cumpra um mandato de três anos, sujeito à renovação. A ideia é que a organização opere com base em contribuições voluntárias. Quem contribuir com pelo menos US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões na cotação atual) garantirá um mandato permanente.

Os dois cenários estão sendo analisados pelo governo brasileiro, que calcula possíveis consequências políticas e diplomáticas antes de tomar uma decisão. De acordo com interlocutores do presidente, nenhuma resposta oficial será dada às pressas, e a palavra final cabe a Lula.

Um dos pontos em análise pelo governo brasileiro diz respeito ao escopo de atuação do conselho e às implicações ao trabalho feito pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Um auxiliar do governo considera que o órgão, que será presidido por Trump, pode ser complementar ou concorrente das Nações Unidas, a depender de como o Conselho da Paz para Gaza for implementado. Outro interlocutor pondera que poderá haver sobreposição com as ações do Conselho de Segurança da ONU.

Os detalhes sobre o funcionamento do grupo ainda não estão claros. O plano atraiu críticas do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que disse que o anúncio não foi coordenado com Tel Aviv e que a iniciativa vai na direção oposta à política adotada por seu país.

A criação do conselho faz parte da segunda fase do plano de paz dos EUA para a região.

Na sexta (16), Trump anunciou primeiro nomes que vão compor o grupo: Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair; os enviados de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff e Jared Kushner (genro de Trump); o bilionário americano Marc Rowan; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; e Robert Gabriel, assessor de Trump.

Entre os chefes de Estado convidados por Trump, estão os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

O ultraliberal argentino, um dos principais aliados de Trump na América Latina, publicou uma foto do convite no X. "É uma honra ter recebido o convite para que a Argentina integre, como membro fundador, o Conselho da Paz", escreveu Milei.

"A Argentina sempre estará ao lado dos países que enfrentam o terrorismo de forma direta, que defendem a vida e a propriedade, e que promovem a paz e a liberdade."