Macron critica EUA em Davos e diz que Europa prefere respeito a lidar com valentões
PARIS, FRANÇA (FOLHAPRESS) - A Europa "prefere o respeito aos valentões", afirmou o presidente da França, Emmanuel Macron, em discurso nesta terça (20) no encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Era uma referência indireta a Donald Trump, cujas atitudes recentes colocaram em xeque a aliança histórica com os europeus.
Macron não citou diretamente o nome do presidente americano em sua fala. O argumento central foi uma defesa de uma Europa mais forte para se proteger em um mundo cada vez mais imprevisível.
"Diante da brutalização do mundo, a França e a Europa devem defender um multilateralismo eficaz, porque ele serve aos nossos interesses e aos de todos que recusam se submeter ao domínio da força", disse.
Depois do discurso, Macron participou de um diálogo no palco com o bilionário americano Larry Fink, dono do fundo de investimentos BlackRock.
Nessa conversa, fez uma referência mais direta à ameaça de Trump de impor tarifas de 200% sobre "os vinhos e o champanhe franceses", caso a França recuse o convite para participar do comitê proposto pela Casa Branca para gerir o futuro de Gaza.
"Não faz sentido haver tarifas entre aliados, e até ameaçar agora com tarifas adicionais", afirmou. "Não vamos perder tempo com ideias malucas. Não vamos abrir a caixa de Pandora em temas novos. Não é hora de um novo imperialismo ou um novo colonialismo", acrescentou.
Por sua vez, Trump divulgou em sua rede Truth Social uma mensagem que foi enviada por Macron na manhã desta terça (20). O Palácio do Eliseu, sede do governo francês, confirmou ao jornal Le Monde a autenticidade do texto.
"Meu amigo", principia Macron. "Estamos totalmente alinhados sobre a Síria. Podemos fazer grandes coisas no Irã. Não entendo o que você está fazendo na Groenlândia. Vamos tentar construir grandes coisas."
Em seguida, o presidente francês propõe um encontro do G7 em Paris, na quinta (22). "Posso convidar os ucranianos, os dinamarqueses, os sírios e os russos à margem", sugere Macron.
Questionado novamente sobre a ameaça de Trump pelos repórteres na saída do auditório, Macron novamente respondeu indiretamente: falou de forma genérica sobre contenciosos relacionados a tarifas entre a França e outros países, como a China.
"Não devemos nos deixar impressionar. Protegeremos todos os nossos produtores", afirmou.
O presidente francês disse que ainda não estava confirmado o encontro que propôs a Trump para a quinta-feira, em Paris. Segundo ele, os sherpas (assessores diplomáticos) ainda estavam negociando.
Minutos depois, porém, a imprensa francesa divulgou a informação de que não haverá encontro em Paris na quinta.
Macron também não mencionou diretamente no discurso o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, assinado no sábado (17) entre os dois blocos contra a vontade da França. Mas defendeu uma Europa mais protecionista, com salvaguardas e cláusulas-espelho nos acordos comerciais.
Houve uma referência breve ao Brics, bloco de países emergentes integrado pelo Brasil. Macron defendeu "construir pontes e mais cooperações com os países emergentes, o Brics e o G20".
