Justiça do Japão condena assassino de ex-premiê à prisão perpétua, diz emissora

Por VICTORIA DAMASCENO

PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS) - A Justiça do Japão condenou nesta quarta-feira (21) o homem que atirou e matou o ex-primeiro-ministro, Shinzo Abe, à prisão perpétua, segundo a emissora pública NHK.

O veredito de Tetsuya Yamagami, hoje com 45 anos, era esperado, uma vez que o réu admitiu ter sido o responsável pelos dois disparos que causaram a morte do político, que não estava no cargo na época.

Abe foi assassinado em julho de 2022 enquanto discursava em um ato de campanha eleitoral na cidade de Nara. Yamagami foi detido na ocasião e permaneceu preso. Os tiros saíram de uma arma confeccionada pelo atirador por meio de peças compradas pela internet.

Segundo a mídia local, o homem havia planejado matar o ex-premiê com explosivos antes de decidir fabricar a arma e teria ido a outros locais onde o político participou de atos de campanha, como a cidade de Okayama.

Durante as investigações, o assassino afirmou que tinha ressentimentos em relação à Igreja da Unificação, da qual Abe participou de palestras, por ter supostamente pressionado sua mãe a fazer doações no valor de US$ 700 mil.

Yamagami afirmou que o político se tornou um alvo porque achava que ele era o centro da relação entre a política e a igreja.

Na época, quase metade dos deputados do LDP (Partido Liberal Democrata), sigla à qual Abe era filiado, divulgaram conexões com a instituição.

O assassinato do político deixou o país asiático em choque, visto que o Japão tem uma regulamentação dura em relação a armas e crimes do tipo são raros.

Dias após o atentado, a polícia local admitiu falhas de segurança. O problema foi atribuído aos baixos índices de incidentes do tipo, o que teria levado as forças de segurança a negligenciar o risco.

O político, morto aos 67 anos, foi o premiê mais longevo do cargo e tornou-se uma das figuras políticas mais influentes do país. Ele foi responsável por reinterpretar o artigo pacifista da Constituição japonesa, permitindo que tropas japonesas pudessem atuar no exterior em missões de autodefesa coletiva, ou seja, defender militarmente um aliado em caso de ataque.

Ele também foi um dos principais responsáveis pela realização das Olimpíadas de Tóquio, que não chegou a presidir como chefe de governo, pois a crise da Covid adiou os jogos para 2021, enquanto o governante havia renunciado em 2020 por questões de saúde.

Sua influência política permanece até hoje, visto que Sanae Takaichi, que foi ministra em seus governos, foi eleita primeira-ministra em outubro de 2025. A governante tem características semelhantes às de Abe, sendo considerada uma conservadora linha-dura favorável à maior militarização.

Takaichi, assim como o ex-premiê, defende o aumento de gastos do governo em áreas estratégicas para estimular a economia. Nesta semana, ela anunciou a dissolução do parlamento e convocou eleições nacionais para o início de fevereiro, colocando-se no centro de seu primeiro grande teste eleitoral desde que se tornou a primeira mulher a assumir o cargo.