Luigi Mangione não pode ser condenado à morte, decide juíza dos EUA

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O americano Luigi Mangione, acusado de assassinar o CEO de uma companhia de seguros médicos nos Estados Unidos, não pode ser condenado à pena de morte, decidiu uma juíza distrital de Nova York.

Acusação federal de homicídio, que pedia a pena de morte para Mangione, foi considerada "falha" por Margaret Garnett. Ela deu a decisão em resposta à acusação do Departamento de Justiça dos EUA. O órgão é liderado pela procuradora Pam Bondi, que defendeu a pena de morte para o acusado.

Apesar de não permitir a pena de morte, a juíza decidiu manter as acusações de perseguição contra o americano, o que ainda pode o levar à prisão perpétua. Luigi é julgado em uma esfera federal e em outra estadual. O júri para o caso federal será selecionado em 8 de setembro e não há até o momento data prevista para o julgamento distrital.

Estado de Nova York não tem pena de morte desde 2004, quando um estatuto que a previa foi declarado inconstitucional. Ainda assim, autoridades federais podem pedir à Justiça que a sentença seja imposta em determinados casos de assassinato.

Mangione se declarou inocente das acusações no âmbito federal e no âmbito estadual. Ele segue preso em uma cadeia de Brooklyn.

RELEMBRE O CASO

Luigi Mangione é acusado de assassinar Brian Thompson, 50, CEO da UnitedHealthCare, em 4 de dezembro de 2024. Ele foi preso cinco dias depois, na Pensilvânia.

CEO estava em frente ao hotel Hilton de Midtown, onde uma conferência de investidores era realizada. Ele faria uma apresentação no evento, mas foi atingido pouco antes das 7h (9h, no horário de Brasília).

Policiais tentaram reanimar Thompson e o levaram a um hospital, onde a morte foi confirmada. "Estamos profundamente tristes e chocados com o falecimento de nosso querido amigo e colega Brian Thompson, diretor-executivo da UnitedHealthcare", disse a empresa em comunicado.

Polícia acredita que o crime tivesse sido motivado por uma "fúria" de Luigi com a indústria de planos de saúde americana. Um manifesto que teria sido escrito por ele chamava os responsáveis pelos planos de "parasitas" e as balas usadas no crime tinham os termos "negar" e "atrasar", em referência a táticas usadas pelas companhias para evitar pagar valores aos assegurados.

Mesmo preso, Mangione conquistou seguidores como uma forma de protesto contra o sistema de planos de saúde nos EUA. Apoiadores, principalmente mulheres, têm marcado presença em sessões do judiciário sobre o caso. Alguns dos apoiadores trajam camisas com os dizeres "Libertem Luigi" ou levam placas em protesto.

UnitedHealth Group faturou 100 bilhões de dólares no terceiro trimestre de 2024. A UnitedHealthcare, administrada pela vítima, é um braço da companhia que administra produtos de saúde, como Medicare e Medicaid, para pessoas idosas e de baixa renda, financiados pelos orçamentos estatais.