Após encontro com Rubio, Netanyahu chega à Casa Branca para falar com Trump

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chegou à Casa Branca hoje para mais um encontro com presidente americano, Donald Trump.

O premiê chegou ontem nos EUA e foi à residência presidencial no final da manhã. Conforme observou um fotógrafo da agência de notícias AFP, Netanyahu chegou em um veículo por uma entrada lateral da Blair House, onde políticos em visita oficial ficam hospedados.

Antes de encontrar com Trump, o israelense teria se reunido com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo o jornal Times of Israel, na ocasião com o funcionário americano, o premiê aderiu oficialmente ao Conselho de Paz com uma assinatura. Nenhum dos dois, no entanto, fez comentários públicos sobre a conversa que tiveram até o momento.

O encontro entre os líderes dos EUA e de Israel tem dois tópicos principais. Ele acontece em meio ao impasse nas negociações entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano e às incertezas sobre o futuro da guerra em Gaza.

Antes de embarcar para Washington, Netanyahu deixou claro que o Irã é a prioridade absoluta da agenda. "Nesta viagem, vamos discutir uma série de questões, como Gaza e a situação regional, mas, acima de tudo, as negociações com o Irã", afirmou.

Netanyahu deve apresentar a Trump novas informações de inteligência sobre as capacidades militares do Irã. Autoridades israelenses afirmam estar preocupadas com a reconstrução acelerada do arsenal de mísseis balísticos iranianos e avaliam que, sem medidas concretas, Teerã poderia voltar a ter entre 1.800 e 2.000 mísseis em questão de semanas ou meses.

Israel pressiona para que qualquer acordo inclua exigências mais amplas do que o tema nuclear. Por exemplo, o fim do enriquecimento de urânio, a eliminação dos estoques já existentes, limites ao programa de mísseis balísticos e o encerramento do apoio iraniano a grupos aliados na região.

GAZA EM SEGUNDO PLANO

Paralelamente, Washington trabalha em um plano para o pós-guerra em Gaza. Segundo o The New York Times, enviados americanos estudam uma desmilitarização gradual do Hamas, permitindo que o grupo mantenha apenas armas leves enquanto entrega mísseis e armamentos de maior alcance.

Israel adota uma posição mais dura. Netanyahu deve dizer a Trump que a segunda fase do cessar-fogo não avançou e que, sem o desarmamento completo do Hamas, não haverá reconstrução nem retirada das tropas israelenses.

'New Gaza': o que se sabe sobre o novo projeto imobiliário de TrumpAlém da agenda diplomática, a visita tem forte peso político interno para Netanyahu. O primeiro-ministro enfrenta eleições ainda este ano e aposta na imagem de líder com acesso direto à Casa Branca. Aliados e analistas avaliam que a relação pessoal com Trump será um dos principais eixos da campanha, reforçando a narrativa de que apenas ele consegue influenciar decisões estratégicas dos EUA.