Reino Unido estuda possibilidade de tirar ex-príncipe Andrew da linha de sucessão real
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo do Reino Unido estuda uma forma de remover o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor da linha de sucessão real. Destituído dos títulos de príncipe e Duque de York em outubro de 2025 devido às suas ligações com o abusador sexual Jeffrey Epstein, o irmão do rei Charles 3º permanece em oitavo lugar entre os herdeiros do trono.
Para o ministro britânico da Defesa, Luke Pollard, eliminar a possibilidade de Andrew um dia se tornar rei é a coisa certa a se fazer, independentemente do resultado da investigação policial sobre o ex-príncipe. Na quinta (19), o irmão do rei foi detido por suspeita de má conduta em cargo público, antes de ser liberado na noite do mesmo dia. Andrew nega qualquer irregularidade de conduta.
A declaração de Pollard foi feita à BBC neste sábado (21). O ministro afirmou à rede britânica que o governo está trabalhando com o Palácio de Buckingham para impedir que o ex-príncipe fique "potencialmente a um passo do trono". Ele espera receber apoio de todos os partidos, mas acredita que isso só acontecerá quando a investigação policial for concluída.
Neste sábado (21), carros da polícia foram vistos novamente entrando no Royal Lodge, onde Andrew morou ?na véspera foram registrados mais de 20 veículos na propriedade. De acordo com as autoridades locais, as buscas devem se estender até segunda-feira (23).
A declaração representa uma mudança para o governo. Em outubro, a gestão de Keir Starmer afirmou não ter planos de introduzir uma lei para alterar a linha de sucessão. As revelações mais recentes envolvendo Epstein e Andrew, no entanto, deram origem a um "desejo desesperado dentro do governo e do palácio de criar uma barreira entre esta crise e a monarquia em geral", afirmou o historiador David Olusoga à BBC.
Além disso, a ideia ganhou força quando parlamentares, incluindo aqueles dos Liberais Democratas e do Partido Nacional Escocês, sinalizaram apoio a uma possível legislação nesse sentido.
O Palácio de Buckingham ainda não se pronunciou sobre o assunto, e a medida ainda teria um longo caminho até ser aplicada. Seria necessário que uma lei fosse aprovada por deputados e membros da Câmara dos Lordes e recebesse a sanção do rei antes de entrar em vigor. Além disso, os 14 países da Commonwealth, incluindo Canadá, Austrália, Jamaica e Nova Zelândia, teriam que apoiar a regra.
Caso ocorra, essa será a primeira alteração em uma regra da linha de sucessão desde 2013, quando reis e rainhas passaram a poder ter um cônjuge católico e o direito de primogenitura masculina, que dava prioridade a um filho mais novo em relação a uma filha mais velha, foi anulado. A mudança foi feita durante a primeira gestação de Kate Middleton, princesa de Gales.
Já a remoção de um nome da linha de sucessão por uma lei do Parlamento ocorreu pela última vez há mais tempo, em 1936, quando o então Edward 8º abdicou do trono e todos os seus descendentes também foram destituídos.
