El Mencho: quem era o narcotraficante do México morto em operação militar
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, 59, foi morto hoje em uma operação militar no estado de Jalisco, no México.
Nascido em 1966, em Aguililla, Michoacán, El Mencho veio de uma família de trabalhadores rurais. Ele largou a escola cedo para trabalhar na colheita de abacates e migrou para os Estados Unidos na juventude, onde, segundo autoridades americanas, entrou para o tráfico de heroína.
Foi preso nos EUA, cumpriu pena e deportado ao México. De volta ao país, integrou a polícia municipal antes de se juntar ao Cartel Milenio, ligado ao Cartel de Sinaloa.
Após disputas internas, rompeu com antigos aliados e fundou o CJNG (Cartel Jalisco Nueva Generación). O grupo se tornou uma das organizações criminosas mais violentas do México, conhecida pelo poder de fogo e métodos violentos.
Sob seu comando, o CJNG ampliou o tráfico internacional de drogas e diversificou atividades ilegais. O cartel atuava no tráfico de cocaína, heroína, metanfetamina e, mais recentemente, fentanil, além de roubo de combustível e tráfico de pessoas.
O grupo ficou famoso por ataques violentos e enfrentamentos com forças de segurança. Apesar da influência, El Mencho mantinha perfil discreto. Ele ficou mais conhecido por áudios divulgados nas redes sociais, em que ameaçava rivais e autoridades.
Em 2024, os EUA ofereceram recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua prisão ou condenação. Autoridades americanas o classificavam como um dos chefes do narcotráfico mais perigosos do continente.
A operação foi realizada na manhã de hoje na cidade de Tapalpa, Jalisco. Militares localizaram El Mencho enquanto ele era escoltado por integrantes do CJNG (Cartel Jalisco Nueva Generación) até um avião, com destino à Cidade do México para tratamento de saúde.
O Exército afirma que os soldados foram recebidos a tiros e revidaram. El Mencho morreu no confronto, junto com outros três membros do CJNG. Três suspeitos ficaram gravemente feridos e dois foram presos.
Três militares também se feriram durante a ação. Eles foram levados a um hospital na Cidade do México, assim como os suspeitos baleados. Não há informações oficiais sobre o estado de saúde dos feridos.
Forças armadas apreenderam armamentos de alto calibre e veículos blindados. Entre as armas, havia equipamentos capazes de derrubar aeronaves e perfurar carros blindados. A operação teve apoio dos Estados Unidos, segundo o governo mexicano.
A morte de El Mencho é considerada a maior ofensiva contra o crime organizado no México desde a prisão de Joaquín 'El Chapo' Guzmán. El Chapo, ex-chefe do Cartel de Sinaloa, está preso nos EUA desde 2019.
Após a operação militar que matou Nemesio Oseguera Cervantes, o El Mencho, líderes do narcotráfico, criminosos iniciaram uma reação violenta em vários estados do país. Diversas vias foram bloqueadas com veículos incendiados em Jalisco, Michoacán e Tamaulipas, e estabelecimentos comerciais foram queimados em Guanajuato.
O governo ativou o "código vermelho" para proteger a população diante do risco de confrontos armados. O transporte público foi suspenso em algumas regiões e autoridades pediram que as pessoas evitassem sair de casa.
Incidentes também foram registrados no aeroporto de Guadalajara e em cidades de outros estados, onde houve relatos de tiros, bloqueios e incêndios. A reação violenta dos grupos criminosos ocorre como resposta direta à ação das forças federais e à morte do chefe do cartel.
Após a operação, embaixadas dos EUA e Canadá emitiram alertas de segurança para seus cidadãos no México. O alerta orienta que moradores e turistas evitem deslocamentos e busquem abrigo, especialmente em estados como Jalisco, Baixa Califórnia e Quintana Roo.
Companhias aéreas cancelaram dezenas de voos para cidades mexicanas. O transporte público e serviços de aplicativos foram suspensos em regiões afetadas pela onda de violência, que inclui bloqueios de estradas e incêndios de veículos.
