Reconstruir a Ucrânia custará R$ 3 tri, diz Banco Mundial
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Reconstruir a economia e infraestrutura da Ucrânia, devastadas nos quatro anos da invasão russa que serão completados nesta terça-feira (24), custará US$ 588 bilhões (R$ 3 trilhões) em dez anos. Isso se a guerra acabasse agora, o que não está no horizonte visível.
A conta foi divulgada nesta segunda (23) pelo Banco Mundial, em um trabalho feito em conjunto com a ONU, Comissão Europeia e o governo ucraniano. Ela representa um aumento de 12% sobre a estimativa do ano passado, puxado pelo salto de 21% nos estragos no sistema energético do país atacado.
O trabalho só ab arca o ano de 2025, sem incluir o grande impacto no sistema neste começo de ano ?a Rússia intensificou sua campanha de ataque com drones e mísseis de forma dramática, deixando o vizinho sob um regime constante de blecautes em meio ao pior inverno das últimas décadas.
"O valor da reconstrução é quase três vezes o PIB nominal do país para 2025", disse em nota a premiê ucraniana, Iulia Sviridenko. O Produto Interno Bruto do país caiu, em termos reais, 21% ante o valor do ano anterior ao início do conflito, e ela prevê que só poderá voltar a crescer de forma sustentável se houver um cessar-fogo.
Ele não parece próximo. Nesta terça, o presidente Volodimir Zelenski disse acreditar que uma nova rodada de negociações diretas com os russos e os mediadores americanos pode ocorrer na Suíça no fim desta semana, mas voltou a afirmar que não acha que Vladimir Putin quer a paz.
Já houve duas reuniões nos Emirados Árabes Unidos e uma em Genebra, sem avanços concretos acerca de temas espinhosos para os dois lados, como concessões territoriais por parte de Kiev e a aceitação de uma força de paz europeia na Ucrânia por Moscou.
O presidente Donald Trump é o fiador das conversas, mas o elevado risco de ele se envolver em uma guerra contra o Irã devido ao programa nuclear dos aiatolás faz Kiev temer o desengajamento dos Estados Unidos do processo de paz.
Segundo o estudo do Banco Mundial, o setor mais afetado no país nos quatro anos de conflito é o de habitação, com 14% de destruição ou danos registrados, somando US$ 61 bilhões (R$ 316 bilhões). Nesta segunda, um novo ataque aéreo atingiu o porto de Odessa, matando ao menos duas pessoas.
Enquanto a guerra não acaba, a principal linha de oxigênio para a economia ucraniana, o empréstimo de ? 90 bilhões (R$ 550 bilhões) costurado pela UE (União Europeia) está sob ameaça. Apesar de aprovado com um mecanismo que evita em tese a obrigatoriedade da aprovação unânime entre os 27 membros do bloco, a Hungria promete vetar a medida.
O governo de Viktor Orbán, premiê que enfrenta eleições em abril sob risco de perder o poder que retém de forma contínua desde 2010, disse nesta segunda que a Ucrânia "odeia a Hungria".
No centro do debate está a interrupção do fornecimento de petróleo russo para Budapeste e Bratislava devido a um ataque com drones ucranianos ao oleoduto que passa por seu território.
Em Moscou, Putin marcou a véspera do aniversário da guerra, que é o feriado do Defensor da Pátria, homenageando militares que lutaram no vizinho e colocando uma coroa de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, junto ao Kremlin.
