Ex-secretário de Tesouro dos EUA deixará Harvard por vínculo com Epstein
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente da Universidade Harvard Larry Summers renunciou nesta quarta-feira (25) ao cargo de professor que ocupava na instituição de ensino.
Revelações recentes mostram que seus vínculos com o criminoso sexual Jeffrey Epstein eram muito mais profundos do que se sabia anteriormente ?pressão que já havia feito com que Summers se afastasse das suas funções em Harvard e interrompesse a participação em eventos públicos.
"O decano da Escola Kennedy de Harvard, Jeremy Weinstein, aceitou a renúncia do professor Lawrence H. Summers ao seu cargo como codiretor do Centro de Negócios e Governo Mossavar-Rahmani", disse a universidade em um comunicado, citando a conexão com os documentos do caso Epstein publicados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
"O professor Summers anunciou que se aposentará de seus cargos acadêmicos e do corpo docente em Harvard ao final deste ano acadêmico e permanecerá de licença até lá", acrescentou.
Em nota, o economista, que foi secretário do Tesouro no governo Bill Clinton e figura influente no Partido Democrata, disse ter tomado "a difícil decisão" de renunciar. "Serei sempre grato aos milhares de estudantes e colegas que tive o privilégio de conhecer desde que vim para Harvard há 50 anos", afirmou.
"Como professor aposentado, estou ansioso para continuar a trabalhar em pesquisa, análise e comentário sobre uma série de questões econômicas globais", concluiu Summers.
Os documentos revelados nos últimos meses mostram que o economista continuou a ter uma relação profunda de amizade com Epstein anos depois do financista ser condenado por prostituição de menores de idade.
Em um dos emails trocados, Summers pede conselhos sexuais a Epstein, incluindo como abordar uma mulher jovem que conhecia e que teria rejeitado seus avanços. O abusador responde com: "Ignore quando ela disser 'daddy, vou sair com o motociclista'. Você reagiu bem. Irritação significa se importar, não reclamar mostra força".
O caso Epstein continua trazendo consequências para os envolvidos com o abusador, que se matou na cadeia em 2019 enquanto era investigado por uma vasta rede de tráfico sexual. Nos EUA, por enquanto, poucas pessoas foram responsabilizadas criminalmente. No Reino Unido, há uma investigação em curso contra o ex-príncipe Andrew, detido brevemente na última quinta (19).
