Equador eleva tarifas sobre a Colômbia para 50% como pressão por mais ação contra crime na fronteira
QUITO, EQUADOR (FOLHAPRESS) - O Equador aumentará as tarifas de importação da Colômbia de 30% para 50%, sob o argumento de que Bogotá não implementou medidas "concretas e eficazes" para combater o crime organizado ao longo da fronteira, anunciou o Ministério da Produção e Comércio Exterior nesta quinta-feira (26).
Ambos os países impuseram tarifas mútuas de 30% sobre dezenas de produtos, em uma guerra comercial iniciada pelo presidente equatoriano, o direitista Daniel Noboa, aliado de Washington e crítico ferrenho do governo colombiano do esquerdista Gustavo Petro. A nova tarifa entrará em vigor neste domingo (1º).
"Esta decisão baseia-se em critérios de segurança nacional, para fortalecer a responsabilidade compartilhada em uma tarefa que deve ser um esforço conjunto: o combate ao tráfico de drogas na fronteira", afirmou o ministério em um comunicado.
Guerrilheiros colombianos e organizações de ambos os países envolvidos com narcotráfico, tráfico de armas e garimpo ilegal atuam ao longo dos aproximadamente 600 km de fronteira.
Os ministros das Relações Exteriores e da Segurança se reuniram em Quito no início de fevereiro, mas não conseguiram chegar a um acordo para pôr fim à disputa tarifária, que afeta o comércio, a cooperação energética e o transporte de petróleo.
Após a imposição da tarifa por Noboa, a Colômbia suspendeu o repasse de energia elétrica para o Equador, e Quito aumentou em 900% a tarifa para o transporte de petróleo por seu oleoduto.
Ambos os países estabeleceram condições para a continuidade das negociações. Entre elas, Quito solicitou a Bogotá a erradicação das plantações de coca e do garimpo ilegal ao longo da fronteira, assim como o levantamento da suspensão da venda de eletricidade. A Colômbia solicitou que o Equador revogasse as tarifas.
