Hillary diz a deputados 'não ter nada a ver' com caso Epstein e cobra comissão a convocar Trump

Por ISABELLA MENON

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A ex-secretária do Estado, Hillary Clinton, afirmou que "não tem nada a ver" com o caso Jeffrey Epstein, financista condenado por abuso sexual. Ela passa por audiência do Comitê de Supervisão da Câmara, que investiga as ligações de Epstein com figuras poderosas, nesta quinta-feira (26).

O depoimento de Hillary acontece às portas fechadas em Chappaqua, cidade de Nova York. Nas redes sociais, ela publicou o depoimento que deve ler durante a audiência, em que diz que nunca voou no jatinho de Epstein e também nunca foi a qualquer das casas ou escritórios dele.

Além disso, critica o presidente do comitê, o republicano James Comer, ao alegar que ele sabe que ela não tem informações para contribuir com a investigação e mesmo assim insiste em uma audiência. Em entrevista à BBC, ela afirmou que já conheceu Ghislaine Maxwell em conferências organizadas pela Fundação Clinton e que Maxwell também esteve no casamento da filha do casal, em 2010.

O ex-presidente Bill Clinton, que vai ser ouvido nesta sexta, aparece em diversas imagens com Epstein. A ex-secretária afirmou em entrevista à BBC que Bill Clinton e Epstein teriam viajado para eventos beneficentes.

O casal deixou de comparecer às audiências marcadas em janeiro pelo comitê. Porém, mudou de ideia e concordou em depor depois de o comitê ter aprovado duas resoluções que recomendavam que o plenário declarasse a dupla culpada por desacato criminal ao Congresso. O crime poderia levar a multas de até US$ 100 mil (R$ 532 mil) ou a 1 ano de prisão.

Hillary diz que ficou horrorizada quando descobriu sobre o caso, mas critica a comissão e diz que ela está sendo politica ao concentrar em um determinado partido as investigações. Diz ainda que, se o comitê fosse sério, estaria atrás de respostas sobre o envolvimento de Donald Trump com o abusador.

"Se este Comitê está realmente interessado em descobrir a verdade sobre os crimes de tráfico cometidos por Epstein, não deveria se basear em conversas informais com a imprensa para obter respostas do nosso atual presidente sobre seu envolvimento", afirmou ela. "Deveria questioná-lo diretamente, sob juramento, sobre as dezenas de vezes em que seu nome aparece nos arquivos de Epstein."

O presidente dos EUA, Donald Trump, aparece diversas vezes citado nos documentos do Departamento de Justiça, que foram divulgados. Também há fotos do presidente ao lado de Epstein. Ele sempre negou qualquer relação.

Antes do início do depoimento de Hillary, democratas deram entrevista para jornalistas. O deputado Robert Garcia, da Califórnia, afirmou que todas as pessoas que possam ter conhecimento sobre Epstein devem ser ouvidas, mas defendeu que Hillary não tinha relação com o caso e nem sequer conhecia Epstein.

"Falar com o ex-presidente Bill Clinton abre precedente. Espero que os republicanos possibilitem que uma audiência com o presidente. Queremos uma investigação não partidária", disse Garcia.