Clinton diz que teria denunciado Epstein se soubesse de crimes

Por ISABELLA MENON

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, participou de uma audiência nesta sexta-feira (27) em frente a congressistas americanos para esclarecer sua relação com o abusador sexual Jeffrey Epstein. Os questionamentos acontecem após a divulgação de arquivos pelo Departamento de Justiça que mostram o democrata e Epstein em diferentes situações juntos.

Assim como foi a audiência de Hillary, Clinton falou em uma reunião a portas fechadas em Chappaqua, no estado de Nova York. Ele e a ex-secretária de Estado solicitaram para que o evento fosse público, mas o pedido foi negado pelo comitê. Ao todo, foram cerca de sete horas de audiência.

Antes do início do depoimento, Clinton fez uma declaração sobre o caso nas redes sociais. Nela, afirma que cresceu em um lar em que presenciou violência doméstica e que, por isso, se soubesse dos crimes de Epstein, teria deixado de viajar no avião dele, o denunciado e liderado "o clamor por justiça por seus crimes e não por acordos de conveniência".

Em entrevista recente, Hillary afirmou que Epstein e Clinton estiveram juntos apenas para eventos beneficentes.

O ex-presidente ainda criticou a postura do comitê de obrigar o depoimento da esposa. "Ela não teve nada a ver com Jeffrey Epstein. Nada. Ela não tem lembrança de sequer tê-lo conhecido. Ela não viajou com ele nem visitou nenhuma de suas propriedades. Quer vocês tenham intimado dez pessoas ou 10 mil, incluí-la simplesmente não foi correto", disse.

Ele afirma na postagem estar diposto a colaborar com as investigações, mas ressalta que teve apenas um "breve contato" com Epstein, que teria se encerrado anos antes dos crimes do abusador virem à tona.

Clinton reitera ainda que "não importa quantas fotos vocês me mostrem, tenho duas coisas que, ao final do dia, importam mais do que a sua interpretação daquelas fotos de 20 anos atrás". "Eu sei o que vi e, mais importante, o que não vi. Eu sei o que fiz e, mais importante, o que não fiz. Eu não vi nada e não fiz nada de errado", completa o ex-presidente.

Horas depois do início do depoimento de Clinton, os deputados afirmaram que o ex-presidente colaborou com as perguntas e respondeu quase tudo aquilo que foi questionado. O presidente da comissão, o deputado republicano James Comer, afirmou que foi um longo processo e histórico. "É uma séria investigação. Ainda temos dúvidas para esclarecer como ele reuniu tanto dinheiro ao longo do ano", disse.

O deputado republicano John McGuire afirmou que este tipo de audiência é importante porque as vítimas merecem que a justiça seja feita e tenham respostas. "Estou contente que o presidente Clinton e a secretária Hillary vieram", disse ele, que também criticou as respostas dos políticos. "O que eu vi nos últimos dois dias foram memórias seletivas, muitas informações detalhadas dos anos 1990, mas em outros momentos respostas como 'eu não sei' ou 'eu não me recordo'".

O casal de políticos deixou de comparecer às audiências marcadas em janeiro pelo comitê. Depois mudou de ideia e concordou em depor quando foram aprovadas duas resoluções que recomendavam que o plenário declarasse a dupla culpada por desacato criminal ao Congresso. O crime poderia levar a multas de até US$ 100 mil (R$ 532 mil) ou a um ano de prisão.

Hillary diz que ficou horrorizada quando descobriu o caso Epstein. No documento publicado nas redes, a democrata critica o comitê e o acusa de ter viés político ao concentrar as investigações em um determinado partido. Afirma ainda que, se o comitê fosse sério, estaria atrás de respostas sobre o envolvimento de Donald Trump com o abusador.